terça-feira, 4 de outubro de 2016

JESUS POLÍTICO?

Semana passada compartilhei na minha página no Facebook uma imagem que retratava a parcialidade do Juiz Sérgio Moro e de outros magistrados que atuam na operação Lava-jato. É um tema polêmico mas, não é possível esconder as evidências, já que as atitudes estão escancaradas na mídia. “Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir”, sabe do que eu falo.

A imagem que compartilhei causou forte reação por parte de muitos que me acompanham nas Redes Sociais. Trata-se de uma representação dos últimos momentos do sofrimento de Jesus: à sua direita está um condenado sofrendo em sua cruz; à esquerda, vê-se outra cruz sem ninguém. Vendo-se sozinho ao lado de Jesus, o ladrão pergunta: “E o outro ladrão?” Ao que Jesus responde: “É filiado ao PSDB. O Sérgio Moro mandou soltar...”
Inteligente denúncia! Mas de repente, veio "do nada" uma avassaladora verborragia insana que acusava-me de ser um padre petista, comunista, idólatra, herege, “abortista”, “uma vergonha para a Igreja”; o mais veemente defensor dos ideais políticos de Bolsonaro, apontou: você é um padre que “não serve à cruz de Cristo mas serve à foice a ao martelo de Marx”; “Ele é tudo, menos sacerdote”, dizia empolgada uma “amiga” facebookiana.
Como você pode ver, as acusações a mim presenteadas não se conectam. Mas não vim aqui me defender. Meu objetivo aqui é refletir um pouco e dar minha interpretação sobre a arte da charge para que os que me criticam abram os olhos e guardem sua animosidade ou a transfiram para outro foco.
 A princípio, a arte não precisa de explicação. Está posto na imagem que um dito juiz soltou um prisioneiro como prêmio por pertencer a um determinado partido político. Nomeadamente o autor nomeou o PSDB, que poderia também ser do PMDB e de outros partidos.
A denúncia subjacente na arte nos faz olhar para a realidade de hoje e detectá-la. Ajuda-nos a refletir até que ponto há correspondência com a situação do país. E, ao ve-la, não tem como não entender, porque é o que se observa quase que diariamente.  
Mas algumas pessoas, não querendo admitir a realidade expressam ódio e rancor através das palavras, numa atitude que beira o fascismo. Em grande parte são pessoas que se dizem cristãs, e que em nome dos princípios religiosos reprovam o compartilhamento que fiz com o argumento de que isso é heresia ou que isso seria um desrespeito ao sofrimento de Jesus.
Na imagem não há nenhum viés de desrespeito à figura de Jesus ou a quaisquer ensinamentos. Se Jesus estivesse no Brasil vivendo como homem, seria de novo perseguido por pessoas religiosas e assassinado com outros irmãos, enquanto os verdadeiros criminosos seriam isentados dos seus crimes. A imagem traz no olhar sofrido de Jesus a tristeza de saber que continua acontecendo condenações e livramentos injustos.
O desenho publicado não atinge em nada a dignidade de Jesus e dos cristãos. Pelo contrário, traz uma oportunidade para refletir sobre a veracidade da denúncia. Aliás, qualquer pintura que mostra Jesus na cruz, já é em si uma denúncia inquestionável de uma injustiça costurada pelos poderes político e religioso daquela época. Para entender isso, basta ler qualquer livro de catequese básico. 
Muitos cristãos não aceitam discutir religião e política. O argumento é que Jesus não pode ser misturado ao mundo sujo da política, isso seria uma profanação. É como se Jesus só estivesse no Sacrário e não continuasse sendo desrespeitado, maltratado e violentado todos os dias. Ora, Jesus foi vítima de políticos salafrários como os que vemos nos dias de hoje. Ele foi um preso político e nós cristãos, por nossa omissão política contribuímos com a profanação contínua de Jesus nos irmãos. Jesus tem um lado nessa situação, é o lado da gente sofrida pela injustiça de quem deveria fazer justiça. E se Ele solidarizou-se com os mais fracos e sofredores, é no lugar dEle que devemos estar. Quem lava as mãos e rejeita a politica e se arvora de estar do lado neutro, saiba: este é o lado de Pilatos que o demônio soube bem utilizar para implementar o seu plano.
Enfim, não existe blasfêmia alguma nesta charge. Pelo contrário, há uma denúncia sobre uma determinada situação política do país. Enquanto houver no Brasil a criminalização de partidos e pessoas ligadas a um determinado seguimento (esquerda ou direita) sem que os processos de outros corruptos sequer se iniciem, irei compartilhar o que for preciso e denunciar. Pois quem sofre com a parcialidade da justiça são os mais pobres, como sofreu Jesus. Foi por Ele e para Ele que fiz a minha Consagração, meu combustível não é aprovação ou ibope, mas a fidelidade a Jesus e à sua causa. O resto é lixo, como disse São Paulo.