segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ESPIRITUALIDADE REDENTORISTA

Nunca se falou tanto em espiritualidade como hoje. Virou moda. O problema é que moda é coisa que passa. Espiritualidade verdadeira, fica! E nesse sentido da perenidade da espiritualidade, nós religiosos precisamos tê-la como a “chave” mais importante que abre os caminhos da vida. Não que a espiritualidade vá resolver todos os problemas do ser humano. Aliás, “ a espiritualidade é tão humilde que não pretende resolver os problemas sozinha” (Pe. Piotr, CSsR.).
Para os que vivem a Vida Consagrada, a espiritualidade se expressa “na contemplação, na oração, na escuta da Palavra de Deus, na união com Deus, na integração das diversas dimensões da vida pessoal e comunitária, na observância fiel e alegre dos Votos”, disse o Cardeal Hume em 1984 no Sínodo sobre a Vida Consagrada.




Mas o que é espiritualidade? Embora seja uma realidade muito abstrata e tenha várias interpretações, é preciso saber que ela é VIDA que vem do Espírito, vida que está dentro de nós e não fora. Se é vida, é também MOVIMENTO, mudanças, itinerário que caminha para a perfeição. Assim, encontramos o conceito de Espiritualidade Cristã. Para nós cristãos, espiritualidade é VIDA EM JESUS CRISTO. Como disse São Paulo estamos com que “enxertados na vida de Cristo” (Rm 11, 17-24). A Espiritualidade Cristã é viver “bebendo da fonte do Espírito Santo” com um itinerário (um caminho progressivo) que nos faz crescer e amadurecer nessa experiência com Cristo. E isso só acontecerá com cada um de nós através da “meditação, oração, silêncio, liturgia, Palavra de Deus”.
Mas viver essa espiritualidade cristã não é fácil nos dias de hoje. A cultura prioriza a razão e nos ensinou que o conhecimento espiritual não serve para a vida, basta optar por aquilo que é palpável, sensível, concreto. Além disso, o ser humano é um mistério que ninguém é capaz de entender completamente. E também o individualismo ou a incapacidade de sair de si mesmo e relacionar-se com os demais enriquecendo e partilhando a vida.
Nossa espiritualidade redentorista carrega uma palavra que a caracteriza bem: chama-se ENCARNAÇÃO. O divino e o humano se encontram e tudo se recompõe de acordo com a Graça de Deus. Na oração do Rosário rezamos: “E o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós”.
Espiritualidade é transformação. Como Redentoristas não podemos esquecer que devemos ser pessoas encarnadas (porque repetimos a ação de Jesus como encarnado no mundo). E para isso, não podemos ficar alienados da história do presente, precisamos entender o que acontece no mundo para podermos interferir como “redentores”. Daí, é necessário adquirir e aperfeiçoar um certo “sexto sentido”. “Ler jornais e romances, ver filmes, seguir a política e a economia mundial são maneiras de exercer este sexto sentido”, diz o Pe. Piotr neste curso. (Abro um parêntese aqui para lembrar o quão aguçado é o “sexto sentido” do Papa Francisco. O profeta verdadeiro conhece a sociedade em que vive e sabe ler os fatos à luz do Espírito). Daí, espiritualidade é transformação.

Concluindo, digo que viver a espiritualidade nos tempos de hoje não é fácil. Mas a espiritualidade cristã não é para gente de vida fácil, afinal, a cruz é a aquisição essencialíssima sem a qual não estaríamos seguindo os passos de Jesus. Viver a vida do Espírito, deixando-se conduzir pelos movimentos do Espírito que nos faz embebedar de Deus. Embriagados de Deus, seremos pessoas encarnadas na realidade do povo, vivendo de portas abertas para acolher e ser acolhido. Portanto, em nossa Província somos convidados a mudar radicalmente nossa forma de ser e agir. Ou continuaremos vivendo na mediocridade do espírito mundano que invadiu um grandioso espaço de nossas vidas.

ESPIRITUALIDADE REDENTORISTA

Nunca se falou tanto em espiritualidade como hoje. Virou moda. O problema é que moda é coisa que passa. Espiritualidade verdadeira, fica! E nesse sentido da perenidade da espiritualidade, nós religiosos precisamos tê-la como a “chave” mais importante que abre os caminhos da vida. Não que a espiritualidade vá resolver todos os problemas do ser humano. Aliás, “ a espiritualidade é tão humilde que não pretende resolver os problemas sozinha” (Pe. Piotr, CSsR.).
Para os que vivem a Vida Consagrada, a espiritualidade se expressa “na contemplação, na oração, na escuta da Palavra de Deus, na união com Deus, na integração das diversas dimensões da vida pessoal e comunitária, na observância fiel e alegre dos Votos”, disse o Cardeal Hume em 1984 no Sínodo sobre a Vida Consagrada.
Mas o que é espiritualidade? Embora seja uma realidade muito abstrata e tenha várias interpretações, é preciso saber que ela é VIDA que vem do Espírito, vida que está dentro de nós e não fora. Se é vida, é também MOVIMENTO, mudanças, itinerário que caminha para a perfeição. Assim, encontramos o conceito de Espiritualidade Cristã. Para nós cristãos, espiritualidade é VIDA EM JESUS CRISTO. Como disse São Paulo, estamos com que “enxertados na vida de Cristo” (Rm 11, 17-24). A Espiritualidade Cristã é viver “bebendo da fonte do Espírito Santo” com um itinerário (um caminho progressivo) que nos faz crescer e amadurecer nessa experiência com Cristo. E isso só acontecerá com cada um de nós através da “meditação, oração, silêncio, liturgia, Palavra de Deus”.
Mas viver essa espiritualidade cristã não é fácil nos dias de hoje. A cultura prioriza a razão e nos ensinou que o conhecimento espiritual não serve para a vida, basta optar por aquilo que é palpável, sensível, concreto. Além disso, o ser humano é um mistério que ninguém é capaz de entender completamente. Some-se a isso o individualismo ou incapacidade de sair de si mesmo e relacionar-se com os demais enriquecendo e partilhando a vida. Tudo isso nos distancia da verdadeira espiritualidade.
Nossa espiritualidade redentorista carrega uma palavra que a caracteriza bem: chama-se ENCARNAÇÃO. O divino e o humano se encontram e tudo se recompõe de acordo com a Graça de Deus. Na oração do Rosário rezamos: “E o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós”.
Espiritualidade é transformação. Como Redentoristas somos pessoas encarnadas (porque repetimos a ação de Jesus como encarnado no mundo). Por isso, não podemos ficar alienados da história e do presente, precisamos entender o que acontece no mundo para podermos interferir como “redentores”. Daí, é necessário adquirir e aperfeiçoar um certo “sexto sentido”. “Ler jornais e romances, ver filmes, seguir a política e a economia mundial são maneiras de exercer este sexto sentido”, diz o Pe. Piotr, neste curso. (Abro um parêntese aqui para lembrar o quão aguçado é o “sexto sentido” do Papa Francisco. O profeta verdadeiro conhece a sociedade em que vive e sabe ler os fatos à luz do Espírito). Espiritualidade é transformação quando conhecemos a alma do povo e interagimos com ele com o espírito de Jesus.

Concluindo, reafirmo: viver a espiritualidade nos tempos de hoje não é fácil. Entretanto, a espiritualidade cristã não é para gente de vida fácil, afinal, a cruz é uma aquisição essencialíssima sem a qual não estaríamos seguindo os passos de Jesus. A espiritualidade é viver a vida do Espírito, deixando-se conduzir por seus movimentos que nos fazem viver “embebedados” de Deus. Embriagados de Deus, seremos pessoas encarnadas na realidade do povo, vivendo de portas abertas para acolher e ser acolhido. Portanto, em nossa Província somos convidados a mudar radicalmente nossa forma de ser e agir. Ou continuaremos vivendo na mediocridade do espírito mundano que invadiu um grandioso espaço de nossas vidas.









domingo, 14 de agosto de 2016

MEDITANDO COM MEU CONFRADE SÃO GERALDO

Um santo da infância que conhece as dores e desesperos das crianças.
Em Materdomini, o Santuário é dedicado a Maria com o título de “Nossa Senhora Menina”. Geraldo tinha Maria como a sua paixão. Desde criança mantinha grande intimidade com o seu filho, o Menino Jesus: recebia um “pão branco” das mãos de suas mãos, era o seu melhor amigo; intercedeu por uma mãe grávida que corria riscos de vida e assim salvou a mãe e a criança. Tantos outros fatos ou parábolas mostram o quanto Geraldinho era querido e amado por Deus e por isso seduzia as pessoas para amá-Lo. Era um santo em vida.
Hoje, no santuário, as crianças, bebês e mães grávidas acorrem ao Santo. Chegam reverentes diante do seu túmulo, parecem conversar com ele em silêncio. Singeleza, pureza, doçura, paz e esperança brotam deste lugar sagrado. Geraldo continua fazendo milagres. Milagre é o dom, a graça que a pessoa necessita, coisas essenciais para a vida. Aqui o peregrino recebe o essencial para a vida. Que mais é essencial para a vida se não paz, pureza, esperança...? Geraldo continua intercedendo, entregando o Pão da Vida aos pequenos, socorrendo-os.
Diante dos seus restos mortais neste Santuário, uma chama acesa indica que a fé em Deus nos traz a segurança de um menino que caminha feliz segurando confiante a mão bondosa do seu pai.
Isso me faz rezar e conversar com aquele confrade que sofreu as dores da pobreza, os incômodos das estruturas religiosas, a prepotência do poder. Mas, sobretudo me faz perceber sua fidelidade ao Evangelho que o faz obedecer a vontade de Deus “como” e “até quando” Ele quis.
São Geraldo, protetor das crianças, esses seres humanos frágeis e dependentes da graça de Deus, ajuda-nos a ser como você, uma pessoa parabólica, dobrado inteiramente a Deus, cheio da divina caridade,  ternura e generosidade. Que tua intimidade com Deus nos anime a sermos ousados em nossa vida missionária, que não nos acomodemos com nossa medíocre vida religiosa, fechada em nossos portões, guardados em nossa avareza velada, que nos cega e adoece a nossa vida consagrada. Ajuda-nos a sermos disponíveis ao contato com o povo. Mas em especial, ajuda-nos a ser mais fraternos. Que deixemos de ser como senhores burgueses em nossos trabalhos, “patrões seculares” daqueles que vivem conosco. Que a singeleza e a beleza da criança que agora ouço cantar, nos faça encontrar as chaves dos nossos corações para que o Menino Deus seja acolhido e amado... atitude de quem sabe que só tu podes nos tirar das enrascadas em que tantas vezes nos metemos.
Neste tempo de crise, os mais frágeis sofrem mais. A infância está ameaçada. As crianças tem o seu futuro comprometido. Assim também, “fratelo” Geraldo, a infância de nossa Congregação, os vocacionados, seminaristas, professos e religiosos novos, corremos o risco de continuarmos mantendo as estruturas de poder que apodrece nossa opção de vida Redentorista. Tu, Geraldo, entendeste bem qual o propósito do nosso fundador que não queria fundar “mais uma congregação”, se não fosse para sermos fecundos e irmos aonde nenhum religioso ou religiosa quer ir. Ele que, saindo do centro para a periferia, priorizando quem foi esquecido, ensinou as pessoas mais pobres e oprimidas o jeito de orar e manter sua intimidade com Deus. Não com metodologias racionais mas com a aproximação junto ao coração de Deus. De forma que pessoas pobres e analfabetas sabiam rezar com profundidade e clareza como qualquer padre.
Geraldo, meu irmão, confrade, meu santo, tua coragem nascia da fragilidade e humildade que o fazia capaz de encontrar Deus. Interceda a Deus por nós para que neste tempo de grandes dificuldades e confusão, nosso coração entenda o profetismo do Papa Francisco e nos abramos às suas inspirações. Ele - que como tu - sabe entender o espírito mundano dos tempos e propõe a fraternidade, o encontro, a partilha, a oração, o cuidado com o outro, a abertura do coração, a superação do egoísmo e denúncia das maldades de quem utiliza até a Igreja para impor sua vontade e não a de Deus. Que em nós seja feita a vontade do teu e nosso Deus e não a nossa, como tu sempre buscastes, Geraldo!
Amem!
          

          

          



MEDITANDO COM MEU CONFRADE SÃO GERALDO

          Um santo da infância que conhece as dores e desesperos das crianças. Em Materdomini, o Santuário é dedicado a Maria com o título de “Nossa Senhora Menina”. Geraldo tinha Maria como a sua paixão. Desde criança mantinha grande intimidade com o seu filho, o Menino Jesus: recebia um “pão branco” das mãos de suas mãos, era o seu melhor amigo; intercedeu por uma mãe grávida que corria riscos de vida e assim salvou a mãe e a criança. Tantos outros fatos ou parábolas mostram o quanto Geraldinho era querido e amado por Deus e por isso seduzia as pessoas para amar a Deus. Era um santo em vida.
          Hoje, no santuário, as crianças, bebês e mães grávidas acorrem ao Santo. Chegam reverentes diante do seu túmulo, parecem conversar com ele em silêncio. Singeleza, pureza, doçura, paz e esperança brotam deste lugar sagrado. Geraldo continua fazendo milagres. Milagre é o dom, a graça que a pessoa necessita, coisas essenciais para a vida. Aqui o peregrino recebe o essencial para a vida. Que mais é essencial para a vida se não paz, pureza, esperança...? Geraldo continua intercedendo, entregando o Pão da Vida, Jesus aos pequenos, socorrendo-os.

          Diante dos seus restos mortais neste Santuário, uma chama acesa indica que a fé em Deus nos traz a segurança de um menino que caminha feliz segurando confiante a mão bondosa do seu pai. Geraldo continua vivo e faz milagres.
          Isso me faz rezar. Conversar com aquele confrade que sofreu as dores da pobreza, os incômodos das estruturas religiosas, a prepotência do poder, mas soube ser fiel ao Evangelho e assim fazer a vontade de Deus “como e até quando Ele quis”. Agora ponho-me a conversar com meu amigo e confrade diante do seu túmulo.
          Protetor as crianças, seres humanos frágeis e dependentes da graça de Deus, São Geraldo Majela, ajuda-nos a ser como você, uma pessoa parabólica, dobrado inteiramente a Deus, cheio da divina caridade,  ternura e generosidade. Que tua intimidade com Deus nos anime a sermos ousados em nossa vida missionária, que não nos acomodemos com nossa medíocre vida religiosa, fechada em nossos portões, guardados em nossa avareza velada, que nos cega e adoece a nossa vida consagrada. Ajuda-nos a sermos disponíveis ao contato com o povo. Mas em especial, ajuda-nos a ser mais fraternos. Que deixemos de ser como senhores burgueses em nossos trabalhos, “patrões seculares” daqueles que vivem conosco. Que a singeleza e a beleza da criança que agora ouço cantar, nos faça encontrar as chaves dos nossos corações para que o Menino Deus seja acolhido e amado... atitude de quem sabe que só tu podes nos tirar das enrascadas em que tantas vezes nos metemos.
          Neste tempo de crise, os mais frágeis sofrem mais. A infância está ameaçada. As crianças tem o seu futuro comprometido. Assim também, fratelo Geraldo, a infância de nossa Congregação, nossos vocacionados, seminaristas, professos e religiosos novos, corremos o risco de continuarmos mantendo as estruturas de poder que apodrece nossa opção de vida Redentorista.
          Tu, Geraldo, entendeste bem qual o propósito do nosso fundador que não queria fundar “mais uma congregação”, se não fosse para sermos fecundos e irmos aonde nenhum religioso ou religiosa quer ir. Saindo do centro para a periferia, priorizando quem  foi esquecido, ensinou as pessoas mais pobres e oprimidas o jeito de orar e manter sua intimidade com Deus. Não com metodologias racionais mas com a aproximação junto ao coração de Deus. De forma que pessoas pobres e analfabetas sabiam rezar com profundidade e clareza como qualquer padre.

Geraldo, meu irmão, confrade, meu santo, tua coragem nascia da fragilidade e humildade que o fazia capaz de encontrar Deus. Interceda a Deus por nós para que neste tempo de grandes dificuldades e confusão, nosso coração entenda o profetismo do Papa Francisco e nos abramos às suas inspirações. Ele - que como tu - sabe entender o espírito mundano dos tempos e propõe a fraternidade, o encontro, a partilha, a oração, o cuidado com o outro, a abertura do coração a superação do egoísmo e denuncia as maldades dos que chegam a utilizar até a Igreja para impor sua vontade e não a de Deus. Que em nós seja feita a vontade de Deus e não a nossa, como tu sempre buscastes, Geraldo! Amem!
     Um santo da infância que conhece as dores e desesperos das crianças.
Em Materdomini, o Santuário é dedicado a Maria com o título de “Nossa Senhora Menina”. Geraldo tinha Maria como a sua paixão. Desde criança mantinha grande intimidade com o seu filho, o Menino Jesus: recebia um “pão branco” das mãos de suas mãos, era o seu melhor amigo; intercedeu por uma mãe grávida que corria riscos de vida e assim salvou a mãe e a criança. Tantos outros fatos ou parábolas mostram o quanto Geraldinho era querido e amado por Deus e por isso seduzia as pessoas para amar a Deus. Era um santo em vida.
     Hoje, no santuário, as crianças, bebês e mães grávidas acorrem ao Santo. Chegam reverentes diante do seu túmulo, parecem conversar com ele em silêncio. Singeleza, pureza, doçura, paz e esperança brotam deste lugar sagrado. Geraldo continua fazendo milagres. Milagre é o dom, a graça que a pessoa necessita, coisas essenciais para a vida. Aqui o peregrino recebe o essencial para a vida. Que mais é essencial para a vida se não paz, pureza, esperança...? Geraldo continua intercedendo, entregando o Pão da Vida, Jesus aos pequenos, socorrendo-os.
     Diante dos seus restos mortais neste Santuário, uma chama acesa indica que a fé em Deus nos traz a segurança de um menino que caminha feliz segurando confiante a mão bondosa do seu pai.
Isso me faz rezar. Conversar com aquele confrade que sofreu as dores da pobreza, os incômodos das estruturas religiosas, a prepotência do poder, mas soube ser fiel ao Evangelho e assim fazer a vontade de Deus “como e até quando Ele quis”.
     Protetor as crianças, seres humanos frágeis e dependentes da graça de Deus, São Geraldo Majela, ajuda-nos a ser como você, uma pessoa parabólica, dobrado inteiramente a Deus, cheio da divina caridade,  ternura e generosidade. Que tua intimidade com Deus nos anime a sermos ousados em nossa vida missionária, que não nos acomodemos com nossa medíocre vida religiosa, fechada em nossos portões, guardados em nossa avareza velada, que nos cega e adoece a nossa vida consagrada. Ajuda-nos a sermos disponíveis ao contato com o povo. Mas em especial, ajuda-nos a ser mais fraternos. Que deixemos de ser como senhores burgueses em nossos trabalhos, “patrões seculares” daqueles que vivem conosco. Que a singeleza e a beleza da criança que agora ouço cantar, nos faça encontrar as chaves dos nossos corações para que o Menino Deus seja acolhido e amado... atitude de quem sabe que só tu podes nos tirar das enrascadas em que tantas vezes nos metemos.
     Neste tempo de crise, os mais frágeis sofrem mais. A infância está ameaçada. As crianças tem o seu futuro comprometido. Assim também, fratelo Geraldo, a infância de nossa Congregação, nossos vocacionados, seminaristas, professos e religiosos novos, corremos o risco de continuarmos mantendo as estruturas de poder que apodrece nossa opção de vida Redentorista. Tu, Geraldo, entendeste bem qual o propósito do nosso fundador que não queria fundar “mais uma congregação”, se não fosse para sermos fecundos e irmos aonde nenhum religioso ou religiosa quer ir. Saindo do centro para a periferia, priorizando quem  foi esquecido, ensinou as pessoas mais pobres e oprimidas o jeito de orar e manter sua intimidade com Deus. Não com metodologias racionais mas com a aproximação junto ao coração de Deus. De forma que pessoas pobres e analfabetas sabiam rezar com profundidade e clareza como qualquer padre.
     Geraldo, meu irmão, confrade, meu santo, tua coragem nascia da fragilidade e humildade que o fazia capaz de encontrar Deus. Interceda a Deus por nós para que neste tempo de grandes dificuldades e confusão, nosso coração entenda o profetismo do Papa Francisco e nos abramos às suas inspirações. Ele - que como tu - sabe entender o espírito mundano dos tempos e propõe a fraternidade, o encontro, a partilha, a oração, o cuidado com o outro, a abertura do coração a superação do egoísmo e denuncia as maldades dos que chegam a utilizar até a Igreja para impor sua vontade e não a de Deus. Que em nós seja feita a vontade de Deus e não a nossa, como tu sempre buscastes, Geraldo! Amem!

RESUMO DA PRIMEIRA SEMANA DO CURSO DE ESPIRITUAIDADE REDENTORISTA

Estamos no domingo, dia 14 de agosto. Passou-se a primeira semana do curso de Espiritualidade Redentorista que acontece na Itália desde o dia 08 deste mês de agosto. Partimos de São Paulo no dia 05 às 15h, foram 10h de voo até Madrid e mais uma espera de duas horas até decolarmos para Roma, chegando lá no sábado dia 06 às 11h30m. E, como há uma diferença de 5 horas no fuso-horário, o Pe. Roni e Pe. Rodrigo, que foram nos buscar no Aeroporto, nos aconselharam: “é melhor vocês não dormirem, o corpo precisa adaptar-se ao fuso-horário, vamos andar na cidade para que vocês entrem no ritmo do tempo daqui”.
Ficamos hospedados na Casa Geral da Congregação, onde moram nossos confrades, o Superior Geral, o seu Conselho, os estudantes da Academia Alfonsiana e de outros Institutos e confrades de outros ofícios.
Depois do almoço fomos ciceroneados pelo Pe. Rodrigo Arnoso para conhecer a Basílica de Santa Maria Maior, de São João de Latrão, de Santa Praxedes e outras que não me lembro mais. São muitas informações ao mesmo tempo para caber num cérebro cansado de uma longa noite viagem quase sem dormir. Foi um dia espetacular, conhecer a “Cidade Eterna”.
No dia seguinte, domingo, pudemos visitar a Basílica de São Pedro, no Vaticano. Que sonho! Que beleza! Que encanto! Ninguém, mesmo o mais ateu dos homens, adorador da “deusa razão”, deixaria de rezar ao Deus Verdadeiro naquele lugar. E ali eu pensava: “agora, posso morrer feliz porque meus olhos viram  tudo isso”! Eu parecia um caipira que nunca saiu da roça vendo a cidade grande pela primeira vez. Mais que isso, eu estava sentindo o espanto ao mergulhar nos feitos dos homens do passado. Ver os prédios antigos as ruas e obras de arte, provocava em mim imaginação e surpresa.
A primeira etapa do curso aconteceu em Roma, coordenada pelo Pe. Piotr e pelo Pe. Simão. Somos 24 Redentoristas, entre eles um Leigo da Província Porto Alegre. Da Província de São Paulo estão o Pe. Chicão, Pe. Carlo Artur, Pe. Carlos Gonzaga e eu. Na segunda-feira visitamos as Catacumbas de São Calixto, lugar encantador para sentir um pouco as primeiras comunidades cristãs e sua perseguição. Visitamos também lugares importantes para a história da espiritualidade Redentorista, recintos onde estiveram Santo Afonso e São João Neumann. Uma bela e rápida visita a monumentos e Basílicas antigas de Roma. Também rezamos e conhecemos melhor o Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que fica ao lado de nossa Comunidade.
Na quinta-feira, dia 11 começamos a segunda etapa. Saímos de Roma cedinho e partimos para o interior da Itália. Chegamos a Santa Ágata dos Godos, onde Santo Afonso exerceu o seu ofício de Bispo. Desta visita, quero destacar dois pontos: o primeiro foi a visita o mosteiro das Irmãs Redentoristas onde fomos acolhidos com a alegria característica de quem vive em estado de Graça. Almoçamos com as sete Monjas que continuam a obra da Redenção desde o tempo de Afonso e Maria Celeste. Como segundo destaque apresento a humildade e simplicidade do Bispo Afonso de Ligório. Ao visitar a Igreja onde foi a Catedral do nosso fundador, quando vemos o que foi a sua cátedra, vem logo a imagem do Papa Francisco: tudo simples, sem a áurea das honrarias, sem nenhum adorno que o diferenciasse dos demais. No mesmo dia, continuamos a viagem até o município de Caposele, ficando hospedados do Hotel São Geraldo, no distrito de Materdomini, onde estão Santuário de São Geraldo Majela, nosso confrade Irmão Redentorista, o Santo mais conhecido da nossa Congregação.
Aqui em Materdomini é um encanto rezar diante da tumba onde estão os restos mortais do nosso Geraldinho. É lindo ver as crianças se aproximarem cochichando com seus pais, perguntando e se interessando pela história de São Geraldo. Ternura, singeleza, humildade e pureza! Nestes dias, estudamos um pouco sobre a Iconografia Redentorista, sobre a Figura do Irmão na Congregação e sobre o sentido da Redenção em nossa vida missionária. E tudo isso com dados históricos e o testemunho de lugares e objetos que ilustram o conteúdo. Uma riqueza impressionante!
Hoje, domingo, dia de descanso, após a missa no Santuário de São Geraldo!
Quem dera poder transmitir “online” todas essas experiências para todo mundo que deseja conhecer a nossa história. Conhecer mais Santo Afonso e São Geraldo é uma riqueza incomensurável. E tudo isso, preparado por Deus para nos enriquecer ainda mais. A Ele, toda honra e toda glória!         
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