sexta-feira, 12 de agosto de 2016

MATERDOMINI: AQUI VIVE GERALDO MAJELA

Estamos em Materdomini. Pensei que fosse um município mas trata-se de uma vila ou distrito de Caposeli no sul da Itália. Aqui está a Basílica de São Geraldo Majela, missionário Redentorista que viveu no tempo de Santo Afonso Maria de Ligório, fundador da Congregação.
Importante lembrar o detalhe que Geraldo não foi sacerdote, mas um Irmão Redentorista. Irmão, segundo o nosso palestrante de hoje, Ir. Marcos Vinícius “é aquele a quem pode-se pedir ajuda quando se precisa”. Como Geraldo. A gente não pede nada a quem não conhece, a não ser em caso extremo. Irmão é aquele religioso que não se afasta do outro porque pertence a outra casta, outra família, outra ideologia religiosa; irmão é aquele que se aproxima do outro porque o vê como semelhante, como igual, como dependente, necessitado do olhar, da mão e dos afetos do outro. Jesus também foi ( e continua sendo) nosso irmão. Ele mesmo disse que entre nós deve haver amor: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. E ainda: “Todos vós sois irmãos” (Mt 23, 8). Na hierarquia de Deus não existe mais alto posto do que ser Irmão.
Pois aqui em Materdomini está aquele que em nossa Congregação desejou e tornou-se um irmão de todos, especialmente dos pobres. E foi além de tudo o que em sua época sua comunidade religiosa e a Igreja receitava. Em atitudes, algumas vezes mais profético que o próprio fundador, Afonso de Ligório. Revolucionário em sua paciência porque assim sendo mostrou à Congregação, ao fundador e à Igreja que era preciso mudar as estruturas e rever as atitudes. Não o fez sozinho, mas contou sempre com a graça de Deus.
Essa presença contínua de Deus na vida de Geraldo é contada de forma parabólica através das muitas estórias transmitidas oralmente desde o seu tempo pelos devotos de São Geraldo. Uma delas diz que Geraldo ainda pequeno foi à missa e, como tinha um desejo ardente de comungar, entrou na fila da comunhão. O padre, ao vê-lo, escrupuloso como era, deu um escândalo com o objetivo de “educar” o menino, para fazê-lo saber que para receber a Comunhão deveria preparar-se! E debulhou o seu “rosário” de conteúdos severos manifestando o seu descontentamento ao ver uma criança “despreparada” para tão sublime Alimento. Geraldinho saiu dali humilhado. Mas, diz-se que à noite, o Arcanjo São Miguel apareceu-lhe em sonho e deu-lhe a Comunhão. Geraldo fez sua primeira comunhão sem a autorização da Igreja, sem a presença do seu pároco e nem a “preparação” exigida. Assim a vida do nosso santo Irmão nos mostra que para estar na presença de Deus, não são essenciais os  protocolos mas em especial o desejo sincero de o receber. Esta parábola, que o povo devoto fez questão de transmitir, ensina que a Igreja instituição não pode controlar a manifestação de Deus pois Ele se revela a quem está preparado de acordo com a Sua vontade e não pelos rituais humanos. Pois quando Ele quer, faz acontecer a sua presença e alimenta os seres humanos com os seus dons.
Assim, vemos que Geraldo, não era um rapaz ingênuo ou sem instrução. Geraldo era um homem inteligente e cheio de Deus. Por isso, nada o atingia de forma que pudesse perder sua serenidade. Quantos sacerdotes e monjas recorriam a ele como orientador espiritual! Era um religioso raro. Certo sacerdote um dia escreveu dizendo que mais valia um sermão do Irmão Geraldo do que uma quaresma com os padres de sua Congregação.
Aqui em Materdomini descansa o corpo do nosso glorioso São Geraldo, santo Redentorista mais conhecido no mundo que o próprio fundador, Santo Afonso. Geraldo não morreu, continua vivente no coração e na vida do povo. Eis um homem santo, parabólico, profeta, um jovem que decidiu lutar para ser santo e o fez com grande maestria. São Geraldo Majela, rogai por nós!

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

ESPAÇOS PRECISOS EM ROMA

O título faz-me perguntar se existe algum lugar nesta cidade que não seja precioso na cidade de Roma. Claro que não. Mas alguns são especialíssimos. Por isso, voltamos ao Vaticano, agora com o grupo inteiro de peregrinos Redentoristas. Tive a alegria de “revisitar” toda a Basílica de São Pedro com mais calma e também a cripta com os túmulos dos Papas. Pude rezar mais. Voltei a ver “La Pietá”, o túmulo de São João XXIII e vi, mesmo de muito longe a imagem de Santo Afonso de Ligório que está na parede esquerda da nave central da Basílica. Afonso é considerado um dos mais importantes homens da Igreja. Em frente ao túmulo de São João Paulo II pude rezar e fazer uma rápida viagem na minha história, pedindo a sua intercessão.
Mas a visita especial de hoje foi à cúpula da Basílica de São Pedro. Subindo de elevador, chegamos ao meio da viagem, o restante foi feito à pé, degrau por degrau. Uma aventura cansativa mas valeu a pena. Contemplar aquela beleza inigualável é surpreendente. Logo descobri que seria possível ir mais longe, subir ao ponto mais alto mais, ao mirante. Subi! De lá, pude contemplar a beleza da cidade de Roma, seus castelos, seus jardins, as ruinas que contam a história da antiguidade, o conjunto de edifícios do Vaticano, a “Sala Papa Paulo VI” onde estava havendo a Audiência papal. Do alto da Cúpula eu ouvia o cantar alegre e festivo dos que iam participar da Audiência com o Sumo Pontífice. No alto mais alto de Roma, rezei, contemplei, agradeci. Deus me fazia suas carícias mais amorosas.
Na outra parte do dia, pudemos caminhar pela cidade de Roma para visitar os lugares que tem uma ligação ou contexto com a história da Congregação Redentorista. Lugares por onde passaram os nossos Santos. Foi uma caminhada exigente, no calor das ruas de Roma. Tudo muito rápido, mas de uma riqueza sem fim. Panteão, Fontana di Trevi, Igreja de Santo Inácio, Igreja de Jesus, Santa Maria Maior... Tudo fascinante!

A caminhada foi longa mas deixou um sentimento de gratidão pela belíssima história que nossos antepassados, especialmente os da origem da Congregação deixaram escrita com suas vidas. Conhecemos apenas um pouco da história. Quem sabe tudo isso servirá de inspiração para nossos novos projetos. Deus é sempre surpreendente! Louvado seja!




ESPAÇOS PRECISOS EM ROMA

O título faz-me perguntar se existe algum lugar nesta cidade que não seja precioso na cidade de Roma. Claro que não. Mas alguns são especialíssimos. Por isso, voltamos ao Vaticano, agora com o grupo inteiro. Tive a alegria de “revisitar” toda a Basílica de São Pedro comais calma e também a cripta com os túmulos dos Papas. Pude rezar mais. Voltei a ver “La Pietá”, o túmulo de São João XXIII e vi, mesmo de muito longe a imagem de Santo Afonso de Ligório que está na parede esquerda da nave central da Basílica. Afonso é uma das colunas da Igreja. Em frente ao túmulo de São João Paulo II pude rezar e fazer uma rápida viagem na minha história, pedindo a sua intercessão.
Fiz uma visita muito especial à cúpula da Basílica de São Pedro. Subindo de elevador, chegamos ao meio da viagem, o restante é feito à pé, subindo degrau por degrau. Uma aventura cansativa mas valeu a pena. Contemplar aquela beleza inigualável é maravilhoso. Logo descobri que seria possível ir mais longe, subir mais, onde há um mirante. Subi. De lá, pude contemplar a beleza da cidade de Roma, seus castelos, seus jardins, as ruínas da antiguidade, o conjunto de edifícios do Vaticano, a Sala Paulo VI onde estava havendo a Audiência papal. Dali eu ouvia o cantar alegre e festivo das pessoas que iam participar daquele momento com o sumo Pontífice. No alto mais alto de Roma, rezei, contemplei, agradeci. Deus me fez sua carícia mais amorosa.
Na outra parte do dia, pudemos caminhar pela cidade de Roma para visitar os lugares que tem uma ligação ou contexto com a história da Congregação Redentorista, lugares por onde passaram os nossos Santos. Foi uma caminhada exigente, nas ruas quentíssimas de Roma. Tudo muito rápido mas de uma riqueza sem fim. Panteão, Fontana di Trevi, Igreja de Santo Inácio, Igreja de Jesus, Santa Maria Maior...
A caminhada foi longa mas deixou um sentimento de gratidão pela belíssima história que nossos antepassados, especialmente os da origem da Congregação deixaram escritas com suas vidas. Conhecemos um pouco da história. Quem sabe tudo isso servirá de inspiração para nossos novos projetos. Deus é sempre surpreendente. Louvado seja!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

DESCOBRIU OS POBRES

Scalla, o lugar da inspiração de Afonso. Ali, pela primeira vez o estressado sacerdote diocesano encontra-se consigo mesmo e com Deus. Corpo e mente cansados e coração sedento, dirigiu-se às montanhas para descansar. Naquele lugar santo descobre os “mais abandonados”.
- O que? Como assim? Afonso era um jovem sacerdote e vivia fazendo caridade nas confrarias que ajudavam os pobres. Como poderia descobri-los somente agora?
É que tudo sucede no momento certo. É quando acontece o “momento luz”, a descoberta real, nasce um novo caminho para a vida. Na verdade é a EXPERIÊNCIA FUNDANTE”, aquilo que nos faz dar um novo sentido para a vida, e a partir dela tomamos um novo rumo para a vida. Ao sair do seu mundo, Afonso encontra-se com os “cabreiros” e seu coração capta a necessidade de mudar seus projetos. Sentiu que sua vida deveria ser gasta para a salvação integral daquela gente.
- Mas, como? Ele foi às montanhas para descansar... Como poderia pensar em trabalho?
Ali, acontece a sintonia entre o desejo de Deus e a obediência do ser humano a Ele. Coração aberto para a vontade divina, é levado para as montanhas de Scalla. Quando o coração generoso adoece o corpo pela intensidade da entrega e doação, é sábia a decisão de fazer um retiro para uma intimidade maior com Deus. Esse momento fecunda a vida e propicia novos insights e ilumina a os caminhos, apontando novas direções.
Foi assim que o fundador dos Redentoristas recebeu inspiração para os seus escritos e para a fundação da Congregação. No descanso, novos horizontes se abrem. Descansar pode ser “perigoso”, pode trazer novos desafios, novos compromissos; pode nos trazer outros olhares que nos comprometerão. Talvez seja esse um dos motivos pelos quais muitos religiosos e religiosas tem uma vida tão ativista e menos contemplativa: medo de descobrir o mistério, de se encontrar com Deus que interpela, de reviver e enxergar a direção do da própria “experiência fundante”.
Em Scalla Afonso muda a rota do caminho ao conhecer os preferidos de Deus. Oxalá nós também saibamos fazer nossos “êxodos”, mesmo que forçados, buscando em tudo fazer a Vontade de Deus. Assim, nosso cansaço terá um sentido, nossa existência será mais fecunda e na pobreza encontraremos Deus, nossa “maior riqueza”. Sempre na companhia de Maria. Afonso disse que a Virgem Santíssima apareceu-lhe muitas vezes para o inspirar seus novos projetos.

VISITANDO AS CATACUMBAS DE SÃO CALIXTO

Numa manhã de clima agradável, visitamos as Catacumbas de São Calixto em Roma. A simpática senhorita Bárbara nos acolheu falando em espanhol, com muita gentileza. Iniciou informando que não poderíamos filmar ou fotografar. Que pena!
Eu tinha me esquecido, no início do cristianismo a cruz não era o seu símbolo principal. Havia outros mais visíveis: o peixe, a pomba, o Bom Pastor, entre outros. A simpática moça nos levou a um portal por onde descemos para além de uns 20 metros de profundidade no solo. Lugar frio, de pouca luminosidade, mas exalava santidade. Um mistério nos rodeava.
Os primeiros cristãos de melhores condições de vida, eram sepultados em catacumbas escavadas solo a dentro. Ali, pudemos ver e sentir o solo onde Papas e Santos foram enterrados, além de milhares de pessoas. Todas em pequenos cubículos escavados na rocha. Ao lado de cada um havia um pequeno orifício onde ficava uma lâmpada com óleo. Dezenas de quilômetros de ruas subterrâneas foram construídas para fazer descansar dignamente os restos mortais dos antepassados.
Cada passo que eu dava, tocava aquela terra sagrada, gelada e viva, que testemunhou a glória do sangue derramado pela perseguição contra os seguidores de Jesus. Não era uma terra comum, era o solo santo, fecundado com o sangue de muitos cristãos perseguidos, solo que carregava a riqueza da santidade do martírio.  Andei circunspecto, reverente e cuidadoso, sentindo com gosto em meus dedos a rocha tocada e escavada pelos antigos romanos, a areia derramada nos túmulos, banhada em sangue.
- “Assim também serei um dia, terra, pó, voltarei de onde vim!”
 Chegamos a uma rua subterrânea onde estão algumas “capelas” escavadas: numa delas, num espaço de 5mx5m, havia um altar e paramentos para a celebração da Santa Missa. Ali, celebramos a Eucaristia! Entregamos nossas vidas, nossas intenções, os falecidos de nossas famílias, as preocupações daqueles que pediram as nossas orações. O mundo inteiro estava no altar sendo oferecido a Senhor, diante do silêncio comunicador dos cristãos enterrados naquele lugar!
Como um bom latino-americano, eu não podia sair dali sem levar alguma “relíquia”. Para conhecer o que me encanta, preciso tocar, sentir com as mãos, ouvir o coração, sentir o cheiro, o gosto, a temperatura, para imprimir no coração: dei um jeito e coloquei em um papel dobrado um punhadinho de areia que fui colhendo dos túmulos que vi ao longo das ruas. Pronto, é o bastante para selar a minha presença nas catacumbas, levar um pouco do que vi e comprometer-me como redentorista e ser mais corajoso como testemunha de Jesus Cristo. Como os mártires? Não sei, mas preciso ser um redentorista menos medíocre e mais audacioso.
Depois que voltamos, lembrei-me do “Pacto das Catacumbas” do qual participou Dom Helder Câmara, Dom Paulo Evaristo e tantos outros homens santos. Mas este compromisso foi feito na Catacumba Domitilla, que fica há uns quilômetros dali.


UMA VISITA AO VATICANO

Cidade Eterna, porquê? Para responder é preciso estar nela, fazer a experiência de viver cada momento em Roma e sentir o passado conhecido ou ignorado pairando sobres telhados.
Dirigimo-nos ao Vaticano. Se a cidade fundada por Rômulo e Rêmo em 753 A. C. é de uma beleza fulgurante, imagine-se entrando no Vaticano... Extasiante!
Roma está em estado de alerta máximo por causa de ameaças terroristas. O Vaticano, menor país do mundo, muito mais alerta. Para entrar no seu território, exige-se passar por barreiras de detectores de metais, ninguém escapa. Isso não é incômodo, é caminho prazeroso para o encontro com a Graça.
Adentramos naquele espaço solene, amplo como os jardins celestes, acolhedor das almas que chegam de terras longínquas e habitado por notáveis homens e mulheres que tem suas admiráveis ações escritas na história: Papas, Imperadores, Santos, Artistas...
Basílica de São Pedro, a majestosa igreja dedicada ao primeiro Papa! Passamos reverentes pela “Porta Santa da Misericórdia”, um momento de reverência especial. Caminhando, nos dirigimos à Cripta da Basílica onde estão os restos mortais de muitos Papas. Meus companheiros estão andando rápido e eu quero ver e sentir cada cor, cada forma de todos os detalhes nos quais me perco naquela beleza que Deus permitiu existir. Pontífices de nomes que eu já não lembrava há muito tempo, ali sepultados... “Aqui estão os restos mortais dele... sim, ele vive, ele está aqui!”, pensava eu, sentindo a emoção de quem sente-se como criança segurando na mão do pai que leva o filho pela primeira vez a algum lugar desconhecido. E eu fui andando, até que vi um anúncio informando o lugar do túmulo de São Pedro. Que emoção, ver o primeiro Papa. Não preciso ver Pedro como vejo os homens e mulheres de hoje, me basta estar ali, perto do “pescador-pecador”, exagerado, “estopim curto”, mas de coração generoso e acolhedor. O céu! São Pedro, Pedro...! “Antes que o galo cante três vezes, tu me negarás...” Pedro, “tu me amas?” “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo!”
- “Meus companheiros estão lá na frente, preciso ir...” E saí sedento de beleza e encontrando pérolas divinais esculpidas por mãos humanas. Quem as fez não poderia estar fazendo a própria vontade senão guiados pelo dedo de Deus.
Subimos à nave central onde muita gente como eu se esbarrava com seus smartphones e câmeras fotográficas registrando meio que irracionalmente cada ponto que iluminava seu olhar interior. Ali, tudo se apresenta grandioso, tudo é convidativo, tudo indica Deus, tudo é significado que confirma a dignidade do que somos. Ali a alma canta como o Salmo 48: Grande é o Senhor e muito digno de louvor, na cidade do nosso Deus, no seu monte santo (...). Deus é conhecido nos seus palácios como um alto refúgio. Como o ouvimos, assim o vimos na cidade do Senhor dos Exércitos, na cidade do nosso Deus. Deus a firmará para sempre(...Lembramo-nos, ó Deus, da tua benignidade no meio do teu templo. (Sl 48, 1;3;8-9).
De repente me deparo com o túmulo de São João Paulo II; e depois São João XXIII... Oh, porque não ficar o dia todo por aqui? Quero me alimentar mais de tudo isso que me foi oferecido. Na Capela do Santíssimo, agradecimentos especiais, ofereci tanta gente ao Coração de Deus. No olhar fixo para o Sacrário, um encontro, um olhar fixo nEle... Silêncio, suspiro da alma!
- “És grandioso assim? E tua simplicidade? Em tudo isso tu nos mostras tua face. Se trouxeste-me aqui e me encantas, se chamaste-me e sinto-me atraído por ti, tu estais aqui e me amas!”
Saímos da basílica de São Pedro e esperamos ver o Papa Francisco na “Hora do Angelus”. Expectativas. Muitos jovens na Praça de São Pedro. Cânticos, “grito de guerra”, animação. De repente, às 11h50m, abre-se uma janela naquele prédio à nossa direita. Um “tapete” vermelho e branco é estendido. Ao meio-dia, sob fortes aplausos o Sumo Pontífice aparece na segunda janela (da direita para a esquerda) do último andar. Tão longe, mas os telões de TV nos tornam próximos. Mas não quero olhar o telão, quero ver, mesmo que em forma de sombras, o vulto daquele que veio “em nome do Senhor”, que surpreende e transforma os corações por onde passa.
- “Francisco, mais que pontífice, homem santo. E esse santo em vida eu posso vê-lo agora com os meus olhos”.
Meu olhar se deteve naquela janela enquanto segurava o smartphone que registrava cada movimento. De repente, a voz audível do Papa: “Cari fratelli e sorelle, buongiorno”! Uma grande explosão de alegria em forma de gritos e palmas, uma experiência linda de viver!

As “carícias de Deus”, surpresas divinas! 





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UMA VIAGEM PARA ROMA

De vez em quando Deus prega uma peça na gente. Ele é sempre surpreendente! Uma delas foi esta, que agora estou vivendo. Hoje encontro-me em Roma. Nunca sonhei em estar aqui, talvez porque era privilégio para poucos ou porque nesse quesito eu não costumo sonhar alto. O fato é que fui convidado pelo Governo Provincial para participar do Curso de Espiritualidade Redentorista que acontece em três etapas durante 20 dias: Roma, Materdomini e Ciorani, lugares onde estão as origens da Congregação Redentorista.
Saí de Aparecida na sexta-feira, acompanhado pelo Ir. Santana e Pe. Francisco (Pe. Chicão). Levantamos voo em Guarulhos e descemos na primeira parada: Madrid. Após 10 horas numa poltrona, o “velho mundo” estava ao meu alcance. Tive de ver o mapa da Europa para entender melhor aonde estava. O que estava longe de mim, agora, ao meu alcance. Uma parada de duas horas foi o suficiente para sentir e meditar um pouco da história da “invasão” dos europeus ao continente latino-americano há mais de meio século. Veio-me a curiosidade em conhecer mais a história do Brasil e da América Latina.
Arribamos para Roma, em mais três horas de voo até a “Cidade Eterna”. Uma enorme expectativa. Confrades redentoristas nos esperavam: Pe. Roni e Pe. Rodrigo Arnoso estavam lá dando-nos as boas vindas. Ma che jioia, che piacere! Passando pelas antigas ruas, recebíamos informações valiosas que projetavam imagens há muito tempo impressas em minha memória, quando estudava História Geral. Até que chegamos na Casa Geral na Via Merulana, entre a Basílica de São João do Latrão e da Basílica de Santa Maria Maior. Recebemos um acolhimento bem redentorista!
Cansaço... Nossa! Depois de 15 horas de viagem, quase sem dormir, a gente deseja uma cama. Mas, cinco horas de diferença no fuso horário (enquanto em Roma era meio-dia, na Itália já era 17h), meu corpo ainda seguia o tempo do Brasil. Mas para adaptação, fomos orientados a não dormir. Assim, após o almoço, fomos para a rua. Começou uma história fantástica: saímos para conhecer as redondezas de nossa Casa: Basílica de São João de Latrão, Basílica de Santa Maria Maior, Igreja de Santa Praxedes, Igreja de... e tantas outras. À noite, não dava mais, precisava descansar. Tudo era novidade, eu estava cansado mas extasiado e feliz, porque andar em Roma é viver o indizível, é encontrar “o que se é” naquilo que já fomos, porque somos herdeiros da história de todo ser humano que já viveu neste planeta.

Este foi o primeiro  dia dessa aventura surpreendente que Deus nos causou.  Bendigamos ao Senhor!