domingo, 25 de dezembro de 2016

NATAL: O "LIXO" SUPERA O "LUXO"

Hoje é dia de Natal. Muita festa rolou em todas as partes do mundo. Desde as famílias mais simples até as mansões mais luxuosas. E onde há festa, há alegria. Onde há festa também há lixo. O luxo produz muito lixo. O lixo é o incômodo do luxo. O luxo descarta o lixo mas o lixo resiste ao luxo.
Jesus nasceu no lixo. O que é a manjedoura senão um lugar insalubre e perigoso, mal cheiroso e sem o essencial para sequer descansar? Mesmo assim, foi lá ao relento, na poeira e o no frio que nasceu Jesus; no lixo, descartado, onde o luxuosos sacerdotes do templo sequer ousavam passar. Celebrar o nascimento de Jesus é entender essa dinâmica nas relações do mundo de hoje. O luxo vê e sente os seus subalternos como lixo, por isso os descarta.
Mas, embora  grande parte dos que vivem no luxo não sejam cristãos e não tenham relação com religião, no tempo do Natal, eles ficam “bonzinhos”, falam de caridade, de fraternidade, de união... e fazem algumas doações para os pobres. Mas eles não se envolvem, pagam um “papai Noel”, compram brinquedos, fazem uma festa e divulgam na imprensa. Na visão do luxo, o lixo só precisa de carinho, de atenção, de consolo porque nasceram destinados a sofrer. Afinal - pensam os ricos - de quem é a culpa da situação de miséria se os “deuses” nos fizeram ricos e pobres?
Mas o luxo é interesseiro, nunca gasta um centavo se não for para ganhar mais. Como exemplo veja o gesto natalino do governo brasileiro: qual o presente que ele deu às empresas de telecomunicações? Dizem que o presente que ele vai dar para as Teles chegou a custar 105 bilhões; e não sei se movido pelo “ano da misericórdia”, a proposta é perdoar uns 20 bilhões de multas que elas deveriam pagar para o povo brasileiro. E qual o presente que o mesmo governo deu para nós? Um “pacote”...! Adivinha o que tem dentro...? Uma continha, uma fatura de mais de 170 bilhões pra gente pagar. É assim que o luxo vê os seus trabalhadores, como escravos, mão de obra barata para o aumento do luxo dos ricos, como “não merecedores” do fruto do seu trabalho, como “lixo”. Gente, quando o “luxo” governa, quem não é “luxo” é tratado como “lixo” e é descartado. O “luxo” nos vê como “lixo”, sempre foi assim. Quando a gente aposta nos governantes do “luxo”, a expectativa é que aumente o “lixo”.  
Jesus escolheu nascer no “lixo”. Essa escolha de Deus revela a hipocrisia religiosa e social que “coisifica” as pessoas, maltrata, descarta e mata. E Deus que ama, está sempre do lado dos filhos mais fracos. No lixo da sociedade estão sempre os descartados que o luxo violentou. O Natal é, portanto o avesso daquilo que esperamos: do “lixo” brota a esperança.
Em tempos onde o luxo produz lixo sem limites, há necessidade de reciclagem. E a reciclagem nada mais é que admitir que o lixo tem valor, o lixo tem poder, o lixo que foi descartado precisa ser transformado e reaproveitado. Mas o nascimento de Jesus não nos recicla, porque reciclagem apenas coloca o “lixo” no lixo, separa por valores, organiza pela utilidade que ainda resta, sempre com o objetivo de reverter o lixo em lucro. O Nata de Jesus propõe outro movimento: a gratuidade! Nada de lucro, ao invés de “reciclar”, é preciso humanizar, devolver a dignidade, recuperar, restabelecer pontes, descer do “luxo” para reconhecer que todos os seres humanos são iguais, que o “lixo” é fruto da ambição e do egoísmo; sem “luxo” e sem “lixo”; simplesmente ser humano dependente dos demais.
Quer um exemplo? Na manjedoura está aquele que desceu do céu e não se apegou à sua divindade, mas com amor gratuito “rebaixou-se” até o “lixo” da nossa humanidade e deu aos sobreviventes do lixo uma nova dignidade. Ele preferiu a fecundidade do “lixo” que gratuitamente faz brotar nova esperança do que a esterilidade do “luxo” que na ambição do lucro escraviza e mata a vida. Porque fecundidade é “coisa” dos pobres. O “luxo” não se sente necessitado disso.
PENSE NISSO!

ABRAÇO!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

DISTÂNCIA DAS FERIDAS DO POVO: FALTA DE FÉ?

Nós, religiosos e religiosas, em grande maioria, vivemos longe do contato com as feridas do povo. Abastados, seguros pelas fortalezas de nossas instituições, aprovamos e festejamos as propostas mais ousadas da Igreja, do Papa Francisco. Mas a maioria de nós, não conhece, não vê, não sente as feridas e as dores do povo a quem somos enviados pela nossa Consagração. Diz o Cardeal Tagle: “todos aqueles que fecham os olhos às feridas do mundo, não tem direito de dizer ´meu Senhor e meu Deus´”. Aí reside a nossa crise, a crise da Igreja, do cristianismo: o distanciamento entre a atitude de misericórdia e o compromisso missionário que assumimos. Falta-nos consagrados(as) que sonhem e se ocupem menos com as estruturas e a atuação nos altares e desejem mais a solidariedade com o povo ferido. Falta-nos fé?

DEUS E OS ACUMULADORES DE BENS

É cômodo e lucrativo, é interessante e propício para quem é mal não acreditar em Deus. Porque Deus é solidariedade, partilha, comunhão, sensibilidade, misericórdia. Quem não acredita em Deus vai buscar o lucro, a vitória sem pensar em ética, pela guerra, a corrupção e o roubo legalizado. Um milionário tem mesmo direito de manter em seu poder tantas riquezas? Pela lei ele tem esse direito, mas em nome de Deus é um pecado gravíssimo porque está em suas mãos o fruto da escravidão legalizada de milhares de trabalhadores. Acreditar no Deus de Jesus Cristo é sentir o outro como parte de si mesmo e partilhar o que se tem. Consequentemente, vai “perder” (porque deve partilhar). Para quem é mal e colocou os bens materiais no lugar de Deus é melhor afastar-se dessa fé, para que não pare de crescer sua fortuna, afinal, esse Deus é perigoso para os ricos, pois Ele “derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes”. 

POLÍTICA HOJE: DIREITA E ESQUERDA

“Os filhos das Trevas são mais espertos do que os filhos da Luz” (Lc 16,8) Podemos perceber isso nos movimentos políticos no mundo inteiro. Veja só como a Direita brasileira tem facilidade de se comunicar e promover um golpe, unir-se em objetivos comuns para retirar direitos dos trabalhadores e “safar-se” das consequências dos atos de corrupção que eles mesmos escondem, embora seja amplamente divulgado na mídia alternativa. Alguém já disse que a Esquerda política é desorganizada egoísta, nunca se entende. Já a Direita se une com apenas dois  telefonemas. E os pobres, confusos, vivem entre o fogo cruzado.


Se os filhos da trevas são mais espertos que os filhos da luz, é porque os primeiros tem grande experiência no que fazem. O desafio é manter a lâmpada acesa e buscar comunicação, comunhão com quem sonha um mundo mais adequado ao sonho de Deus. Não dá para confiar nos filhos das trevas, eles se espalharam, são audaciosos e estão em todos os lugares.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

JESUS POLÍTICO?

Semana passada compartilhei na minha página no Facebook uma imagem que retratava a parcialidade do Juiz Sérgio Moro e de outros magistrados que atuam na operação Lava-jato. É um tema polêmico mas, não é possível esconder as evidências, já que as atitudes estão escancaradas na mídia. “Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir”, sabe do que eu falo.

A imagem que compartilhei causou forte reação por parte de muitos que me acompanham nas Redes Sociais. Trata-se de uma representação dos últimos momentos do sofrimento de Jesus: à sua direita está um condenado sofrendo em sua cruz; à esquerda, vê-se outra cruz sem ninguém. Vendo-se sozinho ao lado de Jesus, o ladrão pergunta: “E o outro ladrão?” Ao que Jesus responde: “É filiado ao PSDB. O Sérgio Moro mandou soltar...”
Inteligente denúncia! Mas de repente, veio "do nada" uma avassaladora verborragia insana que acusava-me de ser um padre petista, comunista, idólatra, herege, “abortista”, “uma vergonha para a Igreja”; o mais veemente defensor dos ideais políticos de Bolsonaro, apontou: você é um padre que “não serve à cruz de Cristo mas serve à foice a ao martelo de Marx”; “Ele é tudo, menos sacerdote”, dizia empolgada uma “amiga” facebookiana.
Como você pode ver, as acusações a mim presenteadas não se conectam. Mas não vim aqui me defender. Meu objetivo aqui é refletir um pouco e dar minha interpretação sobre a arte da charge para que os que me criticam abram os olhos e guardem sua animosidade ou a transfiram para outro foco.
 A princípio, a arte não precisa de explicação. Está posto na imagem que um dito juiz soltou um prisioneiro como prêmio por pertencer a um determinado partido político. Nomeadamente o autor nomeou o PSDB, que poderia também ser do PMDB e de outros partidos.
A denúncia subjacente na arte nos faz olhar para a realidade de hoje e detectá-la. Ajuda-nos a refletir até que ponto há correspondência com a situação do país. E, ao ve-la, não tem como não entender, porque é o que se observa quase que diariamente.  
Mas algumas pessoas, não querendo admitir a realidade expressam ódio e rancor através das palavras, numa atitude que beira o fascismo. Em grande parte são pessoas que se dizem cristãs, e que em nome dos princípios religiosos reprovam o compartilhamento que fiz com o argumento de que isso é heresia ou que isso seria um desrespeito ao sofrimento de Jesus.
Na imagem não há nenhum viés de desrespeito à figura de Jesus ou a quaisquer ensinamentos. Se Jesus estivesse no Brasil vivendo como homem, seria de novo perseguido por pessoas religiosas e assassinado com outros irmãos, enquanto os verdadeiros criminosos seriam isentados dos seus crimes. A imagem traz no olhar sofrido de Jesus a tristeza de saber que continua acontecendo condenações e livramentos injustos.
O desenho publicado não atinge em nada a dignidade de Jesus e dos cristãos. Pelo contrário, traz uma oportunidade para refletir sobre a veracidade da denúncia. Aliás, qualquer pintura que mostra Jesus na cruz, já é em si uma denúncia inquestionável de uma injustiça costurada pelos poderes político e religioso daquela época. Para entender isso, basta ler qualquer livro de catequese básico. 
Muitos cristãos não aceitam discutir religião e política. O argumento é que Jesus não pode ser misturado ao mundo sujo da política, isso seria uma profanação. É como se Jesus só estivesse no Sacrário e não continuasse sendo desrespeitado, maltratado e violentado todos os dias. Ora, Jesus foi vítima de políticos salafrários como os que vemos nos dias de hoje. Ele foi um preso político e nós cristãos, por nossa omissão política contribuímos com a profanação contínua de Jesus nos irmãos. Jesus tem um lado nessa situação, é o lado da gente sofrida pela injustiça de quem deveria fazer justiça. E se Ele solidarizou-se com os mais fracos e sofredores, é no lugar dEle que devemos estar. Quem lava as mãos e rejeita a politica e se arvora de estar do lado neutro, saiba: este é o lado de Pilatos que o demônio soube bem utilizar para implementar o seu plano.
Enfim, não existe blasfêmia alguma nesta charge. Pelo contrário, há uma denúncia sobre uma determinada situação política do país. Enquanto houver no Brasil a criminalização de partidos e pessoas ligadas a um determinado seguimento (esquerda ou direita) sem que os processos de outros corruptos sequer se iniciem, irei compartilhar o que for preciso e denunciar. Pois quem sofre com a parcialidade da justiça são os mais pobres, como sofreu Jesus. Foi por Ele e para Ele que fiz a minha Consagração, meu combustível não é aprovação ou ibope, mas a fidelidade a Jesus e à sua causa. O resto é lixo, como disse São Paulo.

sábado, 1 de outubro de 2016

A TRAGÉDIA DE DEUS: UM GOLPE!!


Um trabalhador da construção civil, servente de pedreiro muito eficiente, chega diante de um condomínio de luxo que ajudou a construir. Olha para o arranha-céu e o contempla. Como num filme, lembra os meses de trabalho quando fazia a massa para unir os tijolos compactados que tornaram-se uma unidade. Seu desejo é poder morar ali, ser acolhido como parte dos seus moradores, conviver, amar e ser amado...
É assim que Deus se sente: fez o ser humano com zelo e arte, desejoso de ser acolhido em seu interior, em sua vida, em seu coração. O fez templo vivo para nele morar. Mas os homens e mulheres, egoístas, optaram por caminhar sozinhos e abandonaram o Criador. E Deus continua de fora, olhando, amando e contemplando sua criatura, desejoso de adentrar em seus projetos e ser acolhido no santuário sagrado que Ele mesmo construiu: o coração humano.
Deus fez o ser humano. Este, optou em deixa-Lo lá fora. Um golpe trágico! Atitude corriqueira dos falsos cristãos dos dias de hoje.

PARA ILUSTRAR:
“O ser humano é presença viva de Deus. Não há nenhum ser humano que não seja templo vivo de Deus. Pratica idolatria aquela Igreja que queira servir a Deus dando as costas aos pobres, aos refugiados, aos emigrantes, aos explorados. É muito fácil ter fé em Jesus. Hitler se considerava católico e dizia que tinha fé em Jesus; Mussolini, também; Pinochet, também. A questão não é ter fé em Jesus, é ter a fé de Jesus. E a fé de Jesus está intimamente vinculada à justiça.” 

A TRAGÉDIA DE DEUS: UM GOLPE!!


Um trabalhador da construção civil, servente de pedreiro muito eficiente, chega diante de um condomínio de luxo que ajudou a construir. Olha para o arranha-céu e o contempla. Como num filme, lembra os meses de trabalho quando fazia a massa para unir os tijolos agora compactados que agora tornaram-se uma unidade. Seu desejo é poder morar ali, ser acolhido como parte dos seus moradores, conviver, amar e ser amado.
Essa é a situação de Deus: fez o ser humano com zelo e arte, desejoso de ser acolhido em seu interior, em sua vida. O fez templo vivo para nele morar. Mas o Homem, em seu egoísmo optou por caminhar sozinho e abandonou o seu Criador. E Deus continua de fora, olhando e contemplando sua criatura, desejoso de morar no lugar que construiu para nele habitar: o coração humano.
Deus fez o ser humano. Este, optou em deixa-Lo de fora. Um golpe trágico! Atitude corriqueira dos falsos cristãos dos dias de hoje.

PARA ILUSTRAR:
“O ser humano é presença viva de Deus. Não há nenhum ser humano que não seja templo vivo de Deus. Pratica idolatria aquela Igreja que queira servir a Deus dando as costas aos pobres, aos refugiados, aos emigrantes, aos explorados. É muito fácil ter fé em Jesus. Hitler se considerava católico e dizia que tinha fé em Jesus; Mussolini, também; Pinochet, também. A questão não é ter fé em Jesus, é ter a fé de Jesus. E a fé de Jesus está intimamente vinculada à justiça.” 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

DO "TABOR" À MISSÃO"

Adeus, Ciorani! Terra abençoada e acolhedora! Adeus, Scala, Jerusalém Redentorista! Materdomini, embebecida dos encantos de Geraldo Majela,  que graça conhecer-te! Nápoles, tão antiga e sempre nova; Marianella, “útero” social que gerou um Santo Doutor; oh, “velho mundo”, que guardas relíquias de guerras e da paz, dos reis e dos santos! Nunca mais os verei... Mas por ser assim, os levarei na memória, porque também sou esta história, sou parte da humanidade antiga e continuo a história humana, passando no presente como ponte para o futuro.
Passar por aqui é reconhecer que nossa existência nesse mundo é apenas um minúsculo momento de uma realidade. Bilhões de seres humanos já existiram, muitos deles deixaram seus rastos na história. Aqui vemos isso mais concretamente nas ruínas, nos palácios, nas igrejas esplendorosas, nas cidades... Cada pedra, desse lugar carrega em si “presenças” que nos emocionam.
Que sente um homem cansado do trabalho no campo nos minutos posteriores ao fim da jornada? Fisionomia tensa, sentimentos pesados, talvez desesperançado, desejoso de chegar em casa. Assim eu me encontrava quando cheguei na Itália há 20 dias. Não sabia o que encontraria, porém, não tinha dúvidas de que um momento novo e rico estria começando. Passaram-se os dias, muitas experiências me refizeram. E para entender o antes e o depois, se quiseres saber como me sinto agora, imagine aquele mesmo homem depois de ter chegado em casa e encontrado sua família, banhado o corpo longamente e sentindo-se diante da mesa , serve-se e reabastece as energias na presença dos filhos e da esposa. Sorrindo, conta do seu trabalho, ouve as novidades, fala do amanhã. É o seu momento de celebrar a vida e degustar as alegrias proporcionadas pela convivência com os seus. Ali retoma o sentido do trabalho, “re-significa” o sofrimento experimentado. Sabe aquele homem que o sol que recebeu, o peso do instrumento de trabalho vale a pena porque dá mais vida aos seus e impulsiona a continuidade da vida. Por isso, ele se levanta e o seu primeiro gesto e pensamento é agradecer ao seu Deus por acordar para a vida e a Ele consagrar suas atividades.
Sinto-me chegando ao fim da madrugada de descanso, daqui há pouco o sol nascerá e o sol trará um novo dia. É tempo de preparar a mente e o coração para mais uma jornada de trabalho, de sol, de suor, de esforço contínuo, de sofrer... tempo para construir mais uma página da missão. Alimentado pelo carinho dos confrades, retomo o trabalho do ponto exato de onde terminei no dia de “ontem”. Porém, meus estímulos, minhas energias, motivação e projetos estão renovados. E assim, com novo sentido para o dia, vou exercer minha missão.
A experiência de ”Tabor” que tivemos, fez-me sentir mais seguro e esperançoso. O que vivenciamos nesses dias nos transformou e nos deu novo vigor. Sei que nunca mais voltarei a esses lugares sagrados, porém, confio que Deus sempre me preparará outros momentos de revelação do seu grande amor. Preparo-me para viver mais uma jornada na missão do Redentor, animado por Ele como animador ou provocador das vocações. Que a Mãe Aparecida continue animando nossos trabalhos e indicando os caminhos dos campos a serem preparados para receberem as sementes do Reino. Oxalá, tenhamos corações disponíveis e abertos para receberem o chamado de Deus e responderem com audácia e generosidade.

Adeus, Ciorani, adeus!

FINALIZANDO NOSSA PEREGRINAÇÃO REDENTORISTA

Estamos finalizando a nossa Peregrinação e Curso de Espiritualidade Redentorista. O clima é de "saudade". Embora esta palavra só exista na língua Portuguesa, o sentimento existe em todos nós.
 Na manhã de hoje houve uma avaliação bem intensa. Para todos está terminando um dos momentos mais importantes da vida. Não apenas pela cultura e as informações que recebemos, mas especialmente porque durantes esses 20 dias formamos uma comunidade que carrega um objetivo único: ser missionário redentorista, isto é, tornar-se para os mais abandonados e a todos os homens e mulheres, presença viva do Redentor. O coração de todos os 23 participantes expressa gratidão e alegria pelo tempo de fecundidade espiritual. Unânimes, voltam todos revigorados e esperançosos para continuar as atividades missionárias em suas respectivas unidades lationamericanas.
Nesta tarde estamos num momento de retiro final, momento de concluir esse tempo fazendo uma síntese pessoal das experiências que vivemos. É aquele momento de quietude e contemplação mais apuradas, porque sabemos que jamais voltaremos à esses lugares, a essas paisagens, não mais seremos o mesmo grupo. Cada um voltará para o seu país e todas as experiências ficarão na memória do coração. O "tempo da Graça" aconteceu e nos alimentou. A generosidade de Deus pudemos experimentar.
O coração épura expressão de gratidão. A Deus, que nos propiciou esses momentos de "Tabor". À Congregação, que através do Secretariado de Espiritualidade cuida da formação espiritual dos seus membros e oferece anualmente dois momento (um em Inglês e Italiano e outro em Português e Espanhol). À Província Redentorista de São Paulo, na pessoa do Pe. Rogério Gomes, Superior Provincial, que convidou-me para participar neste ano, juntamente com o Pe. Chicão, Pe. Carlos Artur e Ir. Santana. Aos coordenadores do Curso Pe. Piotr e Pe. Simón, hábeis e mestres eficientes e eficazes, que com profunda generosidade nos acompanharam, tiveram paciência com nossas faltas e se empenharam e fazer desses momentos uma profunda experiência de vida Redentorista. Aos 22 companheiros que comigo caminharam nestes dias, confrades animados e audazes, gente de coração aberto, com suas experiências riquíssimas que me ajudaram a ser mais redentorista. Aos muitos homens e mulheres que serviram-nos durante este tempo na cozinha, na direção do ônibus, oferecendo-nos as informações sobre a história dos lugares sagrados, aos que rezaram por nós...
No início da noite, teremos a Eucaristia de encerramento. Depositaremos no coração do Pai tudo isso que vivemos; entregaremos as realidades que vamos encontrar na volta para casa; as pessoas por quem rezamos diariamente; nossos projetos missionários; as vocações; o povo que nos pede orações.
Deus seja louvado pela vida! Deus seja louvado porque hoje somos fazemos a história de Redenção continuada por nossos antecessores e, não por nossos méritos, mas pela Graça de Deus, herdamos as riquezas de nossos fundadores e com coração generoso desejamos mantermos-nos a caminho com Jesus Cristo Redentor.
E se até hoje estamos firmes, foi porque Deus atendeu às preces que fizemos e que pela intercessão da Mãe de Deus, obtivemos as graças necessárias. Só com nossas forças não teríamos chegado até aqui. Mãe do Perpétuo Socorro, segure-nos em teus braços. Nos momentos em que fugirmos da presença do teu Filho, corra e nos alcance, pegue-nos em teus braços, porque, como crianças, tantas vezes pensamos saber o caminho e caímos nas ciladas dos "caçadores" que nos impedem de servir ao Reino do teu Filho Jesus. Dai a todos nós a audácia missionária,  a simplicidades nas ações, o ouvido atento aos desejos de Deus, como tu sempre o fizeste. Amem!

EM PAGANI, ENCONTRAMOS AFONSO!



Peregrinação a Pagani, um lugar absolutamente “espiritual”. Mais especificamente a Basílica de Santo Afonso Maria de Ligório e o convento redentorista que guarda preciosos objetos de valor afetivo incomensurável. 
Aqui, uma “acolhida Redentorista”. Você sabe o que é isso? Basta chegar em sua casa ou num lugar que você muito gosta de estar e tudo lhe parece familiar, se parece com você.  Isso eu chamo de um lugar redentorista, porque te acalma, te recebe de braços abertos, te entrega a casa, te dá um abraço sorridente e cuida de você. Isso é uma graça! Graça de Deus!
O momento mais emocionante foi o momento da Eucaristia diante do túmulo onde está o fundador da Congregação. Ali, diante do altar da capela lateral da Basílica de Santo Afonso, uma rápida retrospectiva de toda a minha vida veio espontânea: o lugar onde eu nasci, a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padroeira da Congregação (e eu nunca esperava pertencer a esse Instituto); as novenas anuais que rezávamos com a oração diária de Santo Afonso (ele me conduziu até aqui);  minhas lutas para entrar na Congregação, os anos de formação inicial, meus trabalhos no Nordeste, minha  volta à Província; a ordenação presbiteral; as humilhações que passei; meus pecados... e finalmente os últimos dias do meu pai no hospital em Palmeira dos Índios. Em visita em seu leito, ele disse: “na noite passada eu recebi a visita de um homem, era Santo Afonso...  ele esteve aqui”. Naquele momento eu achava que era um delírio de alguém atormentado pela enfermidade. Poderia ser. Mas hoje, posso ler este momento como presença constante de Deus. É aquela leitura que a gente faz e descobre as pegadas de Deus na história da gente e dos outros. Pois lembrei-me do que disse São João Bosco: quando um filho sai para o Seminário, o próprio Jesus fica no lugar dele na família. Impossibilitado de estar todo tempo ao lado do meu pai, o próprio Afonso o confortou em seus últimos dias. Na presença de Santo Afonso, mas especialmente na presença do Santíssimo Sacramento, agradeci pela vida do meu pai.
A visita continuou no Convento de Pagani, lugar onde Afonso viveu os seus últimos anos. Ali estão seus aposentos, onde recebeu o Ir. Geraldo Majela quando dissolveu-se a infâmia orquestrada por Nerea Cagiano; a janela de onde se vê o Vesúvio (segundo os relatos, Afonso acalmou o vulcão quando ameaçava a vida da população ao seu redor); utensílios de uso pessoal do Bispo Afonso; o púlpito de onde, segundo a história Afonso pediu que um confrade que descesse e interrompesse sua homilia pois este utilizava um jargão muito culto e inacessível ao povo;  o túmulo dos primeiros confrades que moraram naquela residência; o cravo que utilizava para compor suas canções; duas urnas que carregaram seus restos mortais; o caixão no qual foi sepultado... Tudo aponta para Afonso; em tudo, Afonso aponta para Jesus, que aponta para o Pai!

No segundo momento da peregrinação de hoje, parada em Pompeia, que num momento trágico de sua história foi arrasada por seu belo e mortífero vizinho, o vulcão Vesúvio. Não foi possível visitar as ruínas da antiga cidade, o tempo era curto. Mas passamos na atual catedral, rezamos um pouco e voltamos para Ciorani.




CIORANI: ESTUDOS ORAÇÃO... MEMÓRIA AGRADECIDA!

A última semana da Peregrinação e curso de Espiritualidade Redentorista caminha com gosto de “quero mais”. Esse anseio aparece no momento em que fazemos a mesma descoberta que fez Sócrates: “sei que nada sei”. É esse o sentimento que temos diante da riqueza, da grandeza de nossa espiritualidade. Num dado momento da vida, pensamos que nossas experiências, leituras e nossa formação inicial deu-nos o suficiente para sermos Redentoristas. Ledo engano! A atuação redentorista é apenas uma vivência na “ante-sala” da nossa existência onde sentimos o cheiro do alimento saboroso que ainda não está na mesa. Só depois que entramos casa-a-dentro, podemos perceber onde está, como é e qual o sabor daquilo que dará energia e sentido à continuidade da vida.
Os temas estudados e refletidos foram: a música em Santo Afonso (Pe. Saturno e coro alfonsiano), a espiritualidade de São João Neumann (Pe. Simon), a Teologia Moral de Santo Afonso e os desafios da Congregação para o futuro (Pe. Henrique Lopez).
No início da semana pudemos ir em peregrinação a Marianella e Nápoles para conhecermos  os lugares onde viveu Santo Afonso.
Marianella é uma cidade da Grande Nápoles, lugar violento, com muitos problemas sociais. Ali, morava a família de Afonso de Ligório, seus pais e irmãos. Visitamos a casa onde nasceu nosso Fundador, vimos objetos da época, os espaços da casa onde ele nasceu e foi batizado. Tudo parecia tão real!
Em Nápoles, visitamos a face antiga da cidade. Pudemos sentir a Igreja onde está o registro de batismo do futuro advogado e Doutor dos pobres. O pároco nos recebeu com simpatia e nos mostrou o registro original. Depois fomos conhecer outros espaços da cidade que tinha relação com Afonso: a casa onde ele residiu quando estudava em Nápoles, a igreja onde ele entregou aos pés da Virgem Maria a sua espada para nunca mais advogar para os ricos (“deixa o mundo e entrega-te a mim), o centro moderno da cidade e até consegui dar uma escapadinha para ver de perto o Porto de Nápoles enquanto o grupo esperava o ônibus para voltarmos para casa.







quarta-feira, 24 de agosto de 2016

SECRETARIADO DE ESPIRITUALIDADE REDENTORISTA

O Secretariado de Espiritualidade da Congregação Redentorista presta um grandioso serviço à formação permanente dos religiosos. Visitar esses lugares históricos, nos conecta com o centro da nossa opção de vida: o Cristo Redentor. Isso acontece porque as visitas que fazemos nos surpreendem os testemunhos dos nossos santos, eles que viveram buscando em tudo fazer unicamente a vontade de Deus. Cada lugar provoca em nós um sentimento novo, uma visão, uma recordação daquilo que ouvimos dizer sobre o mundo Redentorista. Mais que isso, traz a sede de saber mais e de partilhar o que experimentamos e testemunhamos.
As visitas aos “lugares sagrados” de nossa espiritualidade não tem nada a ver com turismo. Se o fosse, seria ostentação, luxo. Como bem nos propôs desde o início o Pe. Piotr, coordenador do curso, estamos numa “peregrinação”. Peregrinar sugere caminho, saída e chegada, esforço que nos trará transformação interior. O turista deseja obter informações, contemplar a beleza, mas ele não se compromete com o conteúdo que presenciou; ele pode não ter nenhum laço com aquilo que admira, apenas grava em sua câmera as imagens como se fossem troféus que o fará socialmente importante. O peregrino tem atitude e objetivos diferentes: seu caminhar garante que será sempre pessoa em contínua conversão, porque viu, meditou e assimilou o conteúdo do que experimentou e o encarnou em seu ser; ele continua um itinerário espiritual, se alegra pelo caminho que faz; celebra as paisagens que contemplou, as guarda no coração e as assume como parte de sua identidade.
Uma coisa é saber por “ouvi dizer”, porque “está escrito”. Outra experiência maior e mais fecunda acontece quando nossos sentidos tocam os lugares onde tudo começou, onde Deus se revelou, onde a história dessa revelação nos tocou o coração e nos fez mudar de vida. Ali está a casa, o lugar, o objeto, que é testemunha do acontecimento que deu à existência um sentido novo, um caminho diferente. Tocar esses objetos, vê-los, gravá-los na memória e na câmera, é de indizível. Para mim em especial, tocar as coisas é essencial. Talvez eu tenha um pouco da personalidade do nosso amigo Tomé, um dos discípulos de Jesus.

Depois de ver e sentir o que os primeiros membros da Congregação Redentorista viveram, muita coisa muda em nosso caminho. Oxalá seja uma conversão verdadeira!




SANTO AFONSO E O PAPA FRANCISCO

Estivemos visitando Santa Ágata dos Godos, cidade que foi sede da Diocese do Bispo Santo Afonso de Ligório, fundador dos Redentoristas. Chamou a minha atenção a simplicidade como vivia o Bispo Dom Afonso de Ligório. Desde o início ele nunca quis ser Bispo mas aceitou esse encargo unicamente por obediência à Igreja. Foi um pastor zeloso, e como Bispo, trabalhou incansavelmente pelo seu povo. Na catedral em Santa Ágata está até hoje a sua cátedra. Cátedra é uma cadeira especial que fica no centro do presbitério de toda sede de bispado, onde somente o Bispo daquela Diocese pode sentar-se. É também um lugar simbólico, espécie de trono que fica num lugar mais elevado. Senta-se na cátedra quem tem autoridade, isto é, aquele que tem o magistério eclesiástico (o bispo) para ensinar, governar, emitir seus decretos.
Pois bem, as cátedras antigas eram as mais belas e imponentes possíveis. Geralmente cobertas com um baldaquino (uma estrutura belissimamente construída, em quatro colunas que protegiam a cátedra). Afonso de Ligório nunca desejou receber esse tipo de “dignidade”. Por isso a cátedra de sua Diocese era a mais simples possível. Em seu zelo  pastoral, o destaque que Afonso dava não era ao ser humano e aos seus feitos, ou ao poder que ele recebeu, mas centrava todo o foco no Cristo Redentor do mundo.

Esse jeito de governar sua Diocese me faz lembrar o nosso Papa Francisco, que em suas atitudes de simplicidade continua a nadar contra a correnteza do mundo e encantar as pessoas, convertendo seus corações. Nós Redentoristas temos tudo para navegarmos pelo lado contrário da força das águas. Se assim não o somos é porque nunca fomos Redentoristas de verdade como desejou Santo Afonso. Se buscarmos a suntuosidade da modernidade, se nosso modo de ser e agir lembrarem o luxo, o poder, a riqueza, e não a sabedoria e a fecundidade da pobreza e da humildade, é sinal de que estamos indo contra a índole e os objetivos da Congregação. Motivação e ensinamentos para isso, não nos faltam: Santo Afonso, o Papa Francisco e especialmente o Evangelho nos aconselham simplicidade, ousadia, intimidade com Deus e muito trabalho, desgastando a própria vida pela Copiosa Redenção.







segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ESPIRITUALIDADE REDENTORISTA

Nunca se falou tanto em espiritualidade como hoje. Virou moda. O problema é que moda é coisa que passa. Espiritualidade verdadeira, fica! E nesse sentido da perenidade da espiritualidade, nós religiosos precisamos tê-la como a “chave” mais importante que abre os caminhos da vida. Não que a espiritualidade vá resolver todos os problemas do ser humano. Aliás, “ a espiritualidade é tão humilde que não pretende resolver os problemas sozinha” (Pe. Piotr, CSsR.).
Para os que vivem a Vida Consagrada, a espiritualidade se expressa “na contemplação, na oração, na escuta da Palavra de Deus, na união com Deus, na integração das diversas dimensões da vida pessoal e comunitária, na observância fiel e alegre dos Votos”, disse o Cardeal Hume em 1984 no Sínodo sobre a Vida Consagrada.




Mas o que é espiritualidade? Embora seja uma realidade muito abstrata e tenha várias interpretações, é preciso saber que ela é VIDA que vem do Espírito, vida que está dentro de nós e não fora. Se é vida, é também MOVIMENTO, mudanças, itinerário que caminha para a perfeição. Assim, encontramos o conceito de Espiritualidade Cristã. Para nós cristãos, espiritualidade é VIDA EM JESUS CRISTO. Como disse São Paulo estamos com que “enxertados na vida de Cristo” (Rm 11, 17-24). A Espiritualidade Cristã é viver “bebendo da fonte do Espírito Santo” com um itinerário (um caminho progressivo) que nos faz crescer e amadurecer nessa experiência com Cristo. E isso só acontecerá com cada um de nós através da “meditação, oração, silêncio, liturgia, Palavra de Deus”.
Mas viver essa espiritualidade cristã não é fácil nos dias de hoje. A cultura prioriza a razão e nos ensinou que o conhecimento espiritual não serve para a vida, basta optar por aquilo que é palpável, sensível, concreto. Além disso, o ser humano é um mistério que ninguém é capaz de entender completamente. E também o individualismo ou a incapacidade de sair de si mesmo e relacionar-se com os demais enriquecendo e partilhando a vida.
Nossa espiritualidade redentorista carrega uma palavra que a caracteriza bem: chama-se ENCARNAÇÃO. O divino e o humano se encontram e tudo se recompõe de acordo com a Graça de Deus. Na oração do Rosário rezamos: “E o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós”.
Espiritualidade é transformação. Como Redentoristas não podemos esquecer que devemos ser pessoas encarnadas (porque repetimos a ação de Jesus como encarnado no mundo). E para isso, não podemos ficar alienados da história do presente, precisamos entender o que acontece no mundo para podermos interferir como “redentores”. Daí, é necessário adquirir e aperfeiçoar um certo “sexto sentido”. “Ler jornais e romances, ver filmes, seguir a política e a economia mundial são maneiras de exercer este sexto sentido”, diz o Pe. Piotr neste curso. (Abro um parêntese aqui para lembrar o quão aguçado é o “sexto sentido” do Papa Francisco. O profeta verdadeiro conhece a sociedade em que vive e sabe ler os fatos à luz do Espírito). Daí, espiritualidade é transformação.

Concluindo, digo que viver a espiritualidade nos tempos de hoje não é fácil. Mas a espiritualidade cristã não é para gente de vida fácil, afinal, a cruz é a aquisição essencialíssima sem a qual não estaríamos seguindo os passos de Jesus. Viver a vida do Espírito, deixando-se conduzir pelos movimentos do Espírito que nos faz embebedar de Deus. Embriagados de Deus, seremos pessoas encarnadas na realidade do povo, vivendo de portas abertas para acolher e ser acolhido. Portanto, em nossa Província somos convidados a mudar radicalmente nossa forma de ser e agir. Ou continuaremos vivendo na mediocridade do espírito mundano que invadiu um grandioso espaço de nossas vidas.

ESPIRITUALIDADE REDENTORISTA

Nunca se falou tanto em espiritualidade como hoje. Virou moda. O problema é que moda é coisa que passa. Espiritualidade verdadeira, fica! E nesse sentido da perenidade da espiritualidade, nós religiosos precisamos tê-la como a “chave” mais importante que abre os caminhos da vida. Não que a espiritualidade vá resolver todos os problemas do ser humano. Aliás, “ a espiritualidade é tão humilde que não pretende resolver os problemas sozinha” (Pe. Piotr, CSsR.).
Para os que vivem a Vida Consagrada, a espiritualidade se expressa “na contemplação, na oração, na escuta da Palavra de Deus, na união com Deus, na integração das diversas dimensões da vida pessoal e comunitária, na observância fiel e alegre dos Votos”, disse o Cardeal Hume em 1984 no Sínodo sobre a Vida Consagrada.
Mas o que é espiritualidade? Embora seja uma realidade muito abstrata e tenha várias interpretações, é preciso saber que ela é VIDA que vem do Espírito, vida que está dentro de nós e não fora. Se é vida, é também MOVIMENTO, mudanças, itinerário que caminha para a perfeição. Assim, encontramos o conceito de Espiritualidade Cristã. Para nós cristãos, espiritualidade é VIDA EM JESUS CRISTO. Como disse São Paulo, estamos com que “enxertados na vida de Cristo” (Rm 11, 17-24). A Espiritualidade Cristã é viver “bebendo da fonte do Espírito Santo” com um itinerário (um caminho progressivo) que nos faz crescer e amadurecer nessa experiência com Cristo. E isso só acontecerá com cada um de nós através da “meditação, oração, silêncio, liturgia, Palavra de Deus”.
Mas viver essa espiritualidade cristã não é fácil nos dias de hoje. A cultura prioriza a razão e nos ensinou que o conhecimento espiritual não serve para a vida, basta optar por aquilo que é palpável, sensível, concreto. Além disso, o ser humano é um mistério que ninguém é capaz de entender completamente. Some-se a isso o individualismo ou incapacidade de sair de si mesmo e relacionar-se com os demais enriquecendo e partilhando a vida. Tudo isso nos distancia da verdadeira espiritualidade.
Nossa espiritualidade redentorista carrega uma palavra que a caracteriza bem: chama-se ENCARNAÇÃO. O divino e o humano se encontram e tudo se recompõe de acordo com a Graça de Deus. Na oração do Rosário rezamos: “E o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós”.
Espiritualidade é transformação. Como Redentoristas somos pessoas encarnadas (porque repetimos a ação de Jesus como encarnado no mundo). Por isso, não podemos ficar alienados da história e do presente, precisamos entender o que acontece no mundo para podermos interferir como “redentores”. Daí, é necessário adquirir e aperfeiçoar um certo “sexto sentido”. “Ler jornais e romances, ver filmes, seguir a política e a economia mundial são maneiras de exercer este sexto sentido”, diz o Pe. Piotr, neste curso. (Abro um parêntese aqui para lembrar o quão aguçado é o “sexto sentido” do Papa Francisco. O profeta verdadeiro conhece a sociedade em que vive e sabe ler os fatos à luz do Espírito). Espiritualidade é transformação quando conhecemos a alma do povo e interagimos com ele com o espírito de Jesus.

Concluindo, reafirmo: viver a espiritualidade nos tempos de hoje não é fácil. Entretanto, a espiritualidade cristã não é para gente de vida fácil, afinal, a cruz é uma aquisição essencialíssima sem a qual não estaríamos seguindo os passos de Jesus. A espiritualidade é viver a vida do Espírito, deixando-se conduzir por seus movimentos que nos fazem viver “embebedados” de Deus. Embriagados de Deus, seremos pessoas encarnadas na realidade do povo, vivendo de portas abertas para acolher e ser acolhido. Portanto, em nossa Província somos convidados a mudar radicalmente nossa forma de ser e agir. Ou continuaremos vivendo na mediocridade do espírito mundano que invadiu um grandioso espaço de nossas vidas.









domingo, 14 de agosto de 2016

MEDITANDO COM MEU CONFRADE SÃO GERALDO

Um santo da infância que conhece as dores e desesperos das crianças.
Em Materdomini, o Santuário é dedicado a Maria com o título de “Nossa Senhora Menina”. Geraldo tinha Maria como a sua paixão. Desde criança mantinha grande intimidade com o seu filho, o Menino Jesus: recebia um “pão branco” das mãos de suas mãos, era o seu melhor amigo; intercedeu por uma mãe grávida que corria riscos de vida e assim salvou a mãe e a criança. Tantos outros fatos ou parábolas mostram o quanto Geraldinho era querido e amado por Deus e por isso seduzia as pessoas para amá-Lo. Era um santo em vida.
Hoje, no santuário, as crianças, bebês e mães grávidas acorrem ao Santo. Chegam reverentes diante do seu túmulo, parecem conversar com ele em silêncio. Singeleza, pureza, doçura, paz e esperança brotam deste lugar sagrado. Geraldo continua fazendo milagres. Milagre é o dom, a graça que a pessoa necessita, coisas essenciais para a vida. Aqui o peregrino recebe o essencial para a vida. Que mais é essencial para a vida se não paz, pureza, esperança...? Geraldo continua intercedendo, entregando o Pão da Vida aos pequenos, socorrendo-os.
Diante dos seus restos mortais neste Santuário, uma chama acesa indica que a fé em Deus nos traz a segurança de um menino que caminha feliz segurando confiante a mão bondosa do seu pai.
Isso me faz rezar e conversar com aquele confrade que sofreu as dores da pobreza, os incômodos das estruturas religiosas, a prepotência do poder. Mas, sobretudo me faz perceber sua fidelidade ao Evangelho que o faz obedecer a vontade de Deus “como” e “até quando” Ele quis.
São Geraldo, protetor das crianças, esses seres humanos frágeis e dependentes da graça de Deus, ajuda-nos a ser como você, uma pessoa parabólica, dobrado inteiramente a Deus, cheio da divina caridade,  ternura e generosidade. Que tua intimidade com Deus nos anime a sermos ousados em nossa vida missionária, que não nos acomodemos com nossa medíocre vida religiosa, fechada em nossos portões, guardados em nossa avareza velada, que nos cega e adoece a nossa vida consagrada. Ajuda-nos a sermos disponíveis ao contato com o povo. Mas em especial, ajuda-nos a ser mais fraternos. Que deixemos de ser como senhores burgueses em nossos trabalhos, “patrões seculares” daqueles que vivem conosco. Que a singeleza e a beleza da criança que agora ouço cantar, nos faça encontrar as chaves dos nossos corações para que o Menino Deus seja acolhido e amado... atitude de quem sabe que só tu podes nos tirar das enrascadas em que tantas vezes nos metemos.
Neste tempo de crise, os mais frágeis sofrem mais. A infância está ameaçada. As crianças tem o seu futuro comprometido. Assim também, “fratelo” Geraldo, a infância de nossa Congregação, os vocacionados, seminaristas, professos e religiosos novos, corremos o risco de continuarmos mantendo as estruturas de poder que apodrece nossa opção de vida Redentorista. Tu, Geraldo, entendeste bem qual o propósito do nosso fundador que não queria fundar “mais uma congregação”, se não fosse para sermos fecundos e irmos aonde nenhum religioso ou religiosa quer ir. Ele que, saindo do centro para a periferia, priorizando quem foi esquecido, ensinou as pessoas mais pobres e oprimidas o jeito de orar e manter sua intimidade com Deus. Não com metodologias racionais mas com a aproximação junto ao coração de Deus. De forma que pessoas pobres e analfabetas sabiam rezar com profundidade e clareza como qualquer padre.
Geraldo, meu irmão, confrade, meu santo, tua coragem nascia da fragilidade e humildade que o fazia capaz de encontrar Deus. Interceda a Deus por nós para que neste tempo de grandes dificuldades e confusão, nosso coração entenda o profetismo do Papa Francisco e nos abramos às suas inspirações. Ele - que como tu - sabe entender o espírito mundano dos tempos e propõe a fraternidade, o encontro, a partilha, a oração, o cuidado com o outro, a abertura do coração, a superação do egoísmo e denúncia das maldades de quem utiliza até a Igreja para impor sua vontade e não a de Deus. Que em nós seja feita a vontade do teu e nosso Deus e não a nossa, como tu sempre buscastes, Geraldo!
Amem!
          

          

          



MEDITANDO COM MEU CONFRADE SÃO GERALDO

          Um santo da infância que conhece as dores e desesperos das crianças. Em Materdomini, o Santuário é dedicado a Maria com o título de “Nossa Senhora Menina”. Geraldo tinha Maria como a sua paixão. Desde criança mantinha grande intimidade com o seu filho, o Menino Jesus: recebia um “pão branco” das mãos de suas mãos, era o seu melhor amigo; intercedeu por uma mãe grávida que corria riscos de vida e assim salvou a mãe e a criança. Tantos outros fatos ou parábolas mostram o quanto Geraldinho era querido e amado por Deus e por isso seduzia as pessoas para amar a Deus. Era um santo em vida.
          Hoje, no santuário, as crianças, bebês e mães grávidas acorrem ao Santo. Chegam reverentes diante do seu túmulo, parecem conversar com ele em silêncio. Singeleza, pureza, doçura, paz e esperança brotam deste lugar sagrado. Geraldo continua fazendo milagres. Milagre é o dom, a graça que a pessoa necessita, coisas essenciais para a vida. Aqui o peregrino recebe o essencial para a vida. Que mais é essencial para a vida se não paz, pureza, esperança...? Geraldo continua intercedendo, entregando o Pão da Vida, Jesus aos pequenos, socorrendo-os.

          Diante dos seus restos mortais neste Santuário, uma chama acesa indica que a fé em Deus nos traz a segurança de um menino que caminha feliz segurando confiante a mão bondosa do seu pai. Geraldo continua vivo e faz milagres.
          Isso me faz rezar. Conversar com aquele confrade que sofreu as dores da pobreza, os incômodos das estruturas religiosas, a prepotência do poder, mas soube ser fiel ao Evangelho e assim fazer a vontade de Deus “como e até quando Ele quis”. Agora ponho-me a conversar com meu amigo e confrade diante do seu túmulo.
          Protetor as crianças, seres humanos frágeis e dependentes da graça de Deus, São Geraldo Majela, ajuda-nos a ser como você, uma pessoa parabólica, dobrado inteiramente a Deus, cheio da divina caridade,  ternura e generosidade. Que tua intimidade com Deus nos anime a sermos ousados em nossa vida missionária, que não nos acomodemos com nossa medíocre vida religiosa, fechada em nossos portões, guardados em nossa avareza velada, que nos cega e adoece a nossa vida consagrada. Ajuda-nos a sermos disponíveis ao contato com o povo. Mas em especial, ajuda-nos a ser mais fraternos. Que deixemos de ser como senhores burgueses em nossos trabalhos, “patrões seculares” daqueles que vivem conosco. Que a singeleza e a beleza da criança que agora ouço cantar, nos faça encontrar as chaves dos nossos corações para que o Menino Deus seja acolhido e amado... atitude de quem sabe que só tu podes nos tirar das enrascadas em que tantas vezes nos metemos.
          Neste tempo de crise, os mais frágeis sofrem mais. A infância está ameaçada. As crianças tem o seu futuro comprometido. Assim também, fratelo Geraldo, a infância de nossa Congregação, nossos vocacionados, seminaristas, professos e religiosos novos, corremos o risco de continuarmos mantendo as estruturas de poder que apodrece nossa opção de vida Redentorista.
          Tu, Geraldo, entendeste bem qual o propósito do nosso fundador que não queria fundar “mais uma congregação”, se não fosse para sermos fecundos e irmos aonde nenhum religioso ou religiosa quer ir. Saindo do centro para a periferia, priorizando quem  foi esquecido, ensinou as pessoas mais pobres e oprimidas o jeito de orar e manter sua intimidade com Deus. Não com metodologias racionais mas com a aproximação junto ao coração de Deus. De forma que pessoas pobres e analfabetas sabiam rezar com profundidade e clareza como qualquer padre.

Geraldo, meu irmão, confrade, meu santo, tua coragem nascia da fragilidade e humildade que o fazia capaz de encontrar Deus. Interceda a Deus por nós para que neste tempo de grandes dificuldades e confusão, nosso coração entenda o profetismo do Papa Francisco e nos abramos às suas inspirações. Ele - que como tu - sabe entender o espírito mundano dos tempos e propõe a fraternidade, o encontro, a partilha, a oração, o cuidado com o outro, a abertura do coração a superação do egoísmo e denuncia as maldades dos que chegam a utilizar até a Igreja para impor sua vontade e não a de Deus. Que em nós seja feita a vontade de Deus e não a nossa, como tu sempre buscastes, Geraldo! Amem!
     Um santo da infância que conhece as dores e desesperos das crianças.
Em Materdomini, o Santuário é dedicado a Maria com o título de “Nossa Senhora Menina”. Geraldo tinha Maria como a sua paixão. Desde criança mantinha grande intimidade com o seu filho, o Menino Jesus: recebia um “pão branco” das mãos de suas mãos, era o seu melhor amigo; intercedeu por uma mãe grávida que corria riscos de vida e assim salvou a mãe e a criança. Tantos outros fatos ou parábolas mostram o quanto Geraldinho era querido e amado por Deus e por isso seduzia as pessoas para amar a Deus. Era um santo em vida.
     Hoje, no santuário, as crianças, bebês e mães grávidas acorrem ao Santo. Chegam reverentes diante do seu túmulo, parecem conversar com ele em silêncio. Singeleza, pureza, doçura, paz e esperança brotam deste lugar sagrado. Geraldo continua fazendo milagres. Milagre é o dom, a graça que a pessoa necessita, coisas essenciais para a vida. Aqui o peregrino recebe o essencial para a vida. Que mais é essencial para a vida se não paz, pureza, esperança...? Geraldo continua intercedendo, entregando o Pão da Vida, Jesus aos pequenos, socorrendo-os.
     Diante dos seus restos mortais neste Santuário, uma chama acesa indica que a fé em Deus nos traz a segurança de um menino que caminha feliz segurando confiante a mão bondosa do seu pai.
Isso me faz rezar. Conversar com aquele confrade que sofreu as dores da pobreza, os incômodos das estruturas religiosas, a prepotência do poder, mas soube ser fiel ao Evangelho e assim fazer a vontade de Deus “como e até quando Ele quis”.
     Protetor as crianças, seres humanos frágeis e dependentes da graça de Deus, São Geraldo Majela, ajuda-nos a ser como você, uma pessoa parabólica, dobrado inteiramente a Deus, cheio da divina caridade,  ternura e generosidade. Que tua intimidade com Deus nos anime a sermos ousados em nossa vida missionária, que não nos acomodemos com nossa medíocre vida religiosa, fechada em nossos portões, guardados em nossa avareza velada, que nos cega e adoece a nossa vida consagrada. Ajuda-nos a sermos disponíveis ao contato com o povo. Mas em especial, ajuda-nos a ser mais fraternos. Que deixemos de ser como senhores burgueses em nossos trabalhos, “patrões seculares” daqueles que vivem conosco. Que a singeleza e a beleza da criança que agora ouço cantar, nos faça encontrar as chaves dos nossos corações para que o Menino Deus seja acolhido e amado... atitude de quem sabe que só tu podes nos tirar das enrascadas em que tantas vezes nos metemos.
     Neste tempo de crise, os mais frágeis sofrem mais. A infância está ameaçada. As crianças tem o seu futuro comprometido. Assim também, fratelo Geraldo, a infância de nossa Congregação, nossos vocacionados, seminaristas, professos e religiosos novos, corremos o risco de continuarmos mantendo as estruturas de poder que apodrece nossa opção de vida Redentorista. Tu, Geraldo, entendeste bem qual o propósito do nosso fundador que não queria fundar “mais uma congregação”, se não fosse para sermos fecundos e irmos aonde nenhum religioso ou religiosa quer ir. Saindo do centro para a periferia, priorizando quem  foi esquecido, ensinou as pessoas mais pobres e oprimidas o jeito de orar e manter sua intimidade com Deus. Não com metodologias racionais mas com a aproximação junto ao coração de Deus. De forma que pessoas pobres e analfabetas sabiam rezar com profundidade e clareza como qualquer padre.
     Geraldo, meu irmão, confrade, meu santo, tua coragem nascia da fragilidade e humildade que o fazia capaz de encontrar Deus. Interceda a Deus por nós para que neste tempo de grandes dificuldades e confusão, nosso coração entenda o profetismo do Papa Francisco e nos abramos às suas inspirações. Ele - que como tu - sabe entender o espírito mundano dos tempos e propõe a fraternidade, o encontro, a partilha, a oração, o cuidado com o outro, a abertura do coração a superação do egoísmo e denuncia as maldades dos que chegam a utilizar até a Igreja para impor sua vontade e não a de Deus. Que em nós seja feita a vontade de Deus e não a nossa, como tu sempre buscastes, Geraldo! Amem!

RESUMO DA PRIMEIRA SEMANA DO CURSO DE ESPIRITUAIDADE REDENTORISTA

Estamos no domingo, dia 14 de agosto. Passou-se a primeira semana do curso de Espiritualidade Redentorista que acontece na Itália desde o dia 08 deste mês de agosto. Partimos de São Paulo no dia 05 às 15h, foram 10h de voo até Madrid e mais uma espera de duas horas até decolarmos para Roma, chegando lá no sábado dia 06 às 11h30m. E, como há uma diferença de 5 horas no fuso-horário, o Pe. Roni e Pe. Rodrigo, que foram nos buscar no Aeroporto, nos aconselharam: “é melhor vocês não dormirem, o corpo precisa adaptar-se ao fuso-horário, vamos andar na cidade para que vocês entrem no ritmo do tempo daqui”.
Ficamos hospedados na Casa Geral da Congregação, onde moram nossos confrades, o Superior Geral, o seu Conselho, os estudantes da Academia Alfonsiana e de outros Institutos e confrades de outros ofícios.
Depois do almoço fomos ciceroneados pelo Pe. Rodrigo Arnoso para conhecer a Basílica de Santa Maria Maior, de São João de Latrão, de Santa Praxedes e outras que não me lembro mais. São muitas informações ao mesmo tempo para caber num cérebro cansado de uma longa noite viagem quase sem dormir. Foi um dia espetacular, conhecer a “Cidade Eterna”.
No dia seguinte, domingo, pudemos visitar a Basílica de São Pedro, no Vaticano. Que sonho! Que beleza! Que encanto! Ninguém, mesmo o mais ateu dos homens, adorador da “deusa razão”, deixaria de rezar ao Deus Verdadeiro naquele lugar. E ali eu pensava: “agora, posso morrer feliz porque meus olhos viram  tudo isso”! Eu parecia um caipira que nunca saiu da roça vendo a cidade grande pela primeira vez. Mais que isso, eu estava sentindo o espanto ao mergulhar nos feitos dos homens do passado. Ver os prédios antigos as ruas e obras de arte, provocava em mim imaginação e surpresa.
A primeira etapa do curso aconteceu em Roma, coordenada pelo Pe. Piotr e pelo Pe. Simão. Somos 24 Redentoristas, entre eles um Leigo da Província Porto Alegre. Da Província de São Paulo estão o Pe. Chicão, Pe. Carlo Artur, Pe. Carlos Gonzaga e eu. Na segunda-feira visitamos as Catacumbas de São Calixto, lugar encantador para sentir um pouco as primeiras comunidades cristãs e sua perseguição. Visitamos também lugares importantes para a história da espiritualidade Redentorista, recintos onde estiveram Santo Afonso e São João Neumann. Uma bela e rápida visita a monumentos e Basílicas antigas de Roma. Também rezamos e conhecemos melhor o Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que fica ao lado de nossa Comunidade.
Na quinta-feira, dia 11 começamos a segunda etapa. Saímos de Roma cedinho e partimos para o interior da Itália. Chegamos a Santa Ágata dos Godos, onde Santo Afonso exerceu o seu ofício de Bispo. Desta visita, quero destacar dois pontos: o primeiro foi a visita o mosteiro das Irmãs Redentoristas onde fomos acolhidos com a alegria característica de quem vive em estado de Graça. Almoçamos com as sete Monjas que continuam a obra da Redenção desde o tempo de Afonso e Maria Celeste. Como segundo destaque apresento a humildade e simplicidade do Bispo Afonso de Ligório. Ao visitar a Igreja onde foi a Catedral do nosso fundador, quando vemos o que foi a sua cátedra, vem logo a imagem do Papa Francisco: tudo simples, sem a áurea das honrarias, sem nenhum adorno que o diferenciasse dos demais. No mesmo dia, continuamos a viagem até o município de Caposele, ficando hospedados do Hotel São Geraldo, no distrito de Materdomini, onde estão Santuário de São Geraldo Majela, nosso confrade Irmão Redentorista, o Santo mais conhecido da nossa Congregação.
Aqui em Materdomini é um encanto rezar diante da tumba onde estão os restos mortais do nosso Geraldinho. É lindo ver as crianças se aproximarem cochichando com seus pais, perguntando e se interessando pela história de São Geraldo. Ternura, singeleza, humildade e pureza! Nestes dias, estudamos um pouco sobre a Iconografia Redentorista, sobre a Figura do Irmão na Congregação e sobre o sentido da Redenção em nossa vida missionária. E tudo isso com dados históricos e o testemunho de lugares e objetos que ilustram o conteúdo. Uma riqueza impressionante!
Hoje, domingo, dia de descanso, após a missa no Santuário de São Geraldo!
Quem dera poder transmitir “online” todas essas experiências para todo mundo que deseja conhecer a nossa história. Conhecer mais Santo Afonso e São Geraldo é uma riqueza incomensurável. E tudo isso, preparado por Deus para nos enriquecer ainda mais. A Ele, toda honra e toda glória!         

         
        
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