sexta-feira, 28 de maio de 2010

O presidente da CPI da pedofilia e a pedofilia nas Igrejas Evangélicas

A OAB seccional Alagoas abriu processo junto à corregedoria do Senado federal contra abuso de autoridade do senador Magno Malta, pastor evangélico, membro da Igreja Assembléia de Deus que se apresentou à imprensa e sociedade alagoana como o mais puro dos homens e investido até com a autoridade divina para punir com humilhação pública padres católicos. Impediu o acesso dos advogados no auditório onde fez as audições, coagiu com ameaças os investigados e outras testemunhas, além de tornar pública uma investigação que era sigilosa, sob o pretexto de averiguar se as leis penais e processuais penais estavam sendo respeitadas pelos agentes públicos envolvidos.
O foco da imprensa fitou de tal forma no caso, que obscureceu alguns fatos deploráveis que mancham a vida do senador dito égide da moralidade pública. Em agosto de 2006, foi aberto um processo contra Magno Malta sob a acusação de que recebera um carro da empresa Planam – empresa que fornecia ambulâncias superfaturadas às prefeituras, com emendas parlamentares do empresário Luiz Antônio Vedoin – para viajar com sua banda gospel “Tempero do Mundo” em troca da promessa de apresentar uma emenda no valor de R$ 1 milhão a favor da Planam. Em depoimento ao Conselho de Ética, Darci Vedoin, pai de Luiz Antônio, confirmou ter encontrado o senador para discutir o assunto. Naquele período, o segundo suplente do senador Nilis Castberg “assessorava” secretamente o conselho de ética, depois que veio a tona abandonou o cargo para virar secretário de Defesa Social do município de São Mateus (ES), cargo que apareceu miraculosamente.
Na quinta-feira dia 09 de julho de 2009, a administração do senado investigou um ato de improbidade do senador, pois usando os recursos públicos foi com um assessor José Augusto Santana para a Índia a fim de participar de um evento contra a pornografia infantil, porém resolveram descansar um pouco em Dubai (Emirados Árabes) segundo reportagem do jornal “Correio Braziliense”. Passaram quatro dias de folga, num hotel de luxo, numa viagem oficial autorizada apenas para a Índia, em dezembro. Conseguiram autorização para receber diárias de 1 a 8 de dezembro no valor de R$ 7.200, para cada um sem compromissos oficiais. O assessor de Malta gastou R$ 4.000 em ligações com telefone celular corporativo ao longo da viagem entre a Índia e os Emirados Árabes –inclusive no período em que esteve em Dubai.
Porém, além desta mancha não explicada pelo Senador, outro fato me indaga: Por que o mesmo alarde e show pirotécnico não foram usados nos casos de pedofilia em relação aos pastores pedófilos. O caso do pastor Carlos Roberto Batista, de 28 anos, que da Igreja Pentecostal "Brasil Para Cristo", preso em flagrante delito por policiais num Fiat Siena verde na esquina da Rua Martino Rota com a Rua Daniel Berger. Na ocasião um adolescente de 14 anos, que estava agachado no colo de Carlos Roberto. Ao ser indagado pelos policiais sobre o que estava ocorrendo, o adolescente disse que estava fazendo sexo oral em Carlos, pois este o havia abordado e, intimando-o com uma faca, obrigando-o a entrar no carro e praticar os atos libidinosos. O pastor negou tal versão, mas além da faca ter sido encontrada no carro, havia esperma na roupa do garoto.
O caso do pastor o pastor evangélico Antônio Hilário Filho, 53, preso em Marcelândia, a 253 km de Cuiabá, acusado de abusar de pelo menos sete garotos de 13 a 15 anos, a informação é do portal G1. Em meados de 2006, uma garota de 14 anos apaixonou-se pelo filho do Pastor José Leonardo Sardinha da Igreja Assembléia de Deus Ministério Plenitude. Como o rapaz não se interessava pela garota, o Pastor abordou-a dizendo que recebera uma mensagem divina: se ela oferecesse um sacrifício como Abraão teria o favor divino. O sacrifício seria ter relações sexuais com ele por três vezes. A garota ficou frustrada, pois seu sacrifício não despertou o interesse do rapaz. O Pastor foi condenado por estupro e atentado violento ao pudor.
No dia 21 de março de 2001, em Salvador, depois de abusar sexualmente de Lucas, um garoto de 14 anos, o pastor Sílvio Roberto Santos Galiza, 26, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), colocou-o dentro de um caixote de madeira e pôs fogo. O menino foi queimado vivo. O bispo Fernando Aparecido da Silva e o pastor Joel Miranda também foram acusados pelo assassinato. Até a presente data a Igreja não tomou conhecimento do crime perverso. O Pastor foi condenado por abuso sexual e assassinato. O pastor Laercio Eugênio, 53, da Assembléia de Deus, assumiu que tinha, sim, engravidado a garota de 14 anos. Mas não se tratou de violência sexual, afirmou, que a gravidez da menina foi uma “promessa de Deus”. As informações são do jornal Zero Hora (ZH). Há mais de 50 casos como estes estão divulgados na Internet, fora os casos que são abafados.
A resposta para a indagação só pode ser uma: interesse político. Os eleitores do senador são os evangélicos e perseguindo tais casos ele viria a perder sua clientela. Não queremos a absolvição dos padres de Arapiraca, a justiça deve ser feita, condenamos sim o procedimento do ato público que infringiu vários mandatos constitucionais e vilipendiou direitos fundamentais da pessoa humana.

José Everaldo R. Filho
Acesso em vários sites, entre eles: http://blog.opovo.com.br/ancoradouro/?doing_wp_cron)

ESPETÁCULO DEPRIMENTE

Não tenho absolutamente nada contra homossexuais, que cada vez mais estão dando corpo às suas práticas, realizando congressos e estimulando encontros sociais para defender a sua opção sexual. Enquanto isso, sou visceralmente contra a pedofilia, como não poderia deixar de ser, considerando que durante 37 anos exerci a magistratura e, como tal, tive que me manifestar por dever de ofício contra essas perversões sexuais e todo tipo de conduta ouriçada contra os princípios legais, desde que me caíssem às mãos de julgador.

Faço questão de deixar claro, também, que nunca fui coroinha e nem nunca tive vocação para ser padre, o que considero uma atividade altamente respeitável e inspirada por Deus.

Mas confesso, distante dos confessionários, que fiquei indignado com o espetáculo deprimente que a televisão mostrou durante alguns dias, envolvendo padres que seriam homossexuais e estariam praticando pedofilia.

Foi um espetáculo nojento, abjeto, repugnante sob todos os aspectos, tendo à frente um senador-cantor, Magno Malta, que parece desconhecer a ética, o respeito à sociedade e não atentou para o malefício que causou e repercutiu junto aos menores de idade que têm acesso à televisão.

Chegou a Arapiraca, montou o espetáculo, transformou-se no principal ator das cenas picarescas e se exibiu inteiramente à vontade, como se estivesse a rebolar como cantor, à semelhança dos shows que leva a cabo nas televisões brasileiras.

Arapiraca, Alagoas e o Brasil não mereciam tão desavergonhado espetáculo levado à cena pelo senador-cantor, que se mostrou um autêntico canastrão. Foi demais!

O homossexualismo está tomando corpo, e a cada dia vem inovando corpos para introduzir a experiência, no Senado Federal, nos ministérios, nos governos estaduais, enfim, em todos os segmentos sociais. Mas entre a sua prática, que não é de todo aceita, e o que foi feito em Arapiraca, a impressão que ficou é de que o senador Magno Malta é visceralmente desprovido de ética, de bom senso e despreparado para a função de inquisidor. Foi injudicioso, perverso e leviano, talvez instigado pelo fato de ser evangélico, no que não quero acreditar, pois seria uma mesquinhez desproporcional.

A propósito, quem assistiu às cenas deprimentes levadas ao ar deve ter observado que o senador-cantor em determinado momento chegou a indagar de um dos sacerdotes se ele pagava aos seus parceiros de sexo com as moedas recebidas dos fiéis. A ilação que se tira da pergunta é que teve a capciosidade de denegrir a Igreja Católica como um todo, visando a depreciar o que se arrecada pelo clero nas missas, como se não existissem os dízimos em outras religiões, normalmente obrigatórios.

Que o senador Magno Malta viva rebolando nos palcos brasileiros, exibindo a sua voz de poucos recursos, não é nada demais, embora me pareça incompatível com a sisudez que a função de senador exige. Mas vir a Alagoas travestido de ator, apresentar-se com um texto mal escrito e mal conduzido, causando males à sociedade e principalmente às crianças, que devem merecer todo o respeito e não ficar à mercê de sexos explícitos em horários proibidos, foi altamente condenável.

São louváveis a sua predisposição e as atitudes que vem tomando contra a pedofilia. Mas em Arapiraca foi absolutamente condenável a maneira como conduziu o espetáculo que montou, sem ao menos selecionar a plateia, além de revelar-se um insuportável canastrão. Só faltou pedir ao público que estava no auditório que batesse palmas para que o espetáculo deprimente fosse completo.

Antonio Sapucaia - desembargador aposentado, jornalista e escritor
(Publicado na Gazeta de Alagoas em 25 de abril de 2010.)