quinta-feira, 7 de março de 2013

CF 2013: Protagonismo, comunidade e experiência religiosa


Estamos conversando sobre o “Protagonismo dos jovens”. Ontem, falamos sobre o “protagonismo que dê sentido para a vida”. Vamos continuar nossa conversa falando sobre outras duas características do protagonismo juvenil que a Igreja necessita: a vida comunitária e a “experiência religiosa”.
A igreja necessita de um protagonismo juvenil “que gere comunidade”, que leve a experiências de relações fraternas na vida comunitária. O desejo da CF é motivar as comunidades a criar “espaços de cultivo de subjetividades juvenis” que acabem com o individualismo e “descubram na vivência comunitária o germe do mundo novo, pautado na lei do amor”. Quando o jovem descobre verdadeiramente o Evangelho, abre-se para o outro, “para experiências grupais”, para o “intercâmbio com o diferente”. Abrir-se ao diferente é enriquecer-se, abrir os horizontes para a vida, para o Reino. Em nossas comunidades há grandes testemunhos de abertura a vida comunitária e isso precisa ser reconhecido.
A partir da década de 90, começam a surgir novas “tribos juvenis católicas” que possuem espiritualidades diferentes, métodos diferentes, “vivência de fé e de inserção social distintos”. É um “novo jeito de ser igreja: não mais uniformizado, mas um jeito plural, dinâmico e aberto”. A Igreja “carrega em si a marca da multiplicidade humana: ela é unidade na diversidade”. Uma comunidade verdadeira é aquela que acolhe as diferenças, está sempre em processo de construção, de aprimoramento, onde as pessoas colaboram com suas experiências e sugestões, discutem, ouvem, opinam, superam os desafios, os preconceitos. E nisso tudo, há um sentimento de unidade através da fé em Jesus Cristo. O Evangelho, é “Boa-Nova” porque vem nesse mesmo espírito de novidade, de abertura, de acolhida do diferente. Quem conhece o Cristo, sabe muito bem o que é ser comunidade na unidade e na diversidade.
O protagonismo de que fala a Igreja requer outra característica: a “experiência religiosa”. Esta experiência é fortalecida e cultivada através da oração pessoal, que é um “diálogo fértil nascido da experiência de fé, encarnada na realidade de angústias, anseios, sonhos e utopias juvenis”. A oração fortalece a necessidade do jovem em viver em comunidade “e não se fechar em si” impulsionando-o ao crescimento em todos as suas dimensões. A oração pessoal através da leitura da Palavra de Deus, “gera um encontro dos jovens consigo mesmos, com seu projeto de vida e com as atitudes e posturas que precisam ter para servir com coerência como discípulos missionários”. Por isso, onde há religiosos e leigos que têm atitude de desconfiança “em relação ao potencial da juventude”, é preciso que se convertam para uma atitude de “confiança e caminhada em conjunto.” E é preciso insistir nessa atitude de confiança, muitos das nossas lideranças precisam aprender a ceder lugar para os novos que estão chegando. Na vida religiosa masculina e feminina, nas comunidades, nas paróquias, há sempre algumas resistências em passar o cargo, em seguir a normalidade do curso da vida. Ninguém fica jovem a vida toda, ninguém consegue dar 100%  o tempo todo; a renovação das instituições, dos grupos, acontece quando mentes jovens vão entrando e refazendo e renovando e transformando aquilo que já está pronto. O Papa Bento XVI já mostrou para todos nós o que devemos fazer quando o peso é grande e não estamos conseguindo dar conta de carrega-lo: com humildade, entreguemos o posto para quem está mais jovem e tem mais firmeza para suportar as exigências. E nós religiosos e leigos precisamos dar testemunho de confiança na juventude e confiar que a renovação da Igreja se dará não só pela nossa capacidade, mas pela orientação o Espírito Santo. É tarefa nossa ajuda-lo nessa renovação.
Então, amigos(as), vimos hoje mais dois conselhos importantes para a juventude que deseja ser protagonista da evangelização, que deseja estar na direção dos acontecimentos, na renovação da Igreja: buscar viver o Evangelho em comunidade, na fraternidade; fazer a sua experiência pessoal com Deus, para fortalecer a si mesmo e adquirir a confiança e a segurança de um jovem protagonista que tem uma história bonita pela frente. Amanhã, continuaremos com o tema do protagonismo. Muita luz e sabedoria nas decisões do seu dia de hoje!

Ir. José Torres, CSsR.

(CF 2013 - Fraternidade e Juventude: Segunda Parte, “Protagonismo dos Jovens”, p. 79 - 81).

quarta-feira, 6 de março de 2013

CF 2013: Protagonismo dos jovens


Vamos continuar falando sobre o texto-base da CF. Nesta segunda parte, já falamos sobre “os jovens nas Sagradas Escrituras”, “Jovens na história da Igreja”, “jovens seguidores de Cristo”, “jovens no coração da Igreja” e agora vamos para o quinto ponto que fala sobre o tema do “Protagonismo dos jovens”. No nosso encontro de ontem, dizíamos que o jovem deve se apaixonar por Jesus para poder semear vida e esperança. Falamos sobre as ações que a Igreja no Brasil desenvolveu para se comprometer com os jovens. Tudo isso, culmina no objetivo de promover o “Protagonismo dos jovens”, que é o nosso tema de hoje.
No coração da Igreja está o sonho de que a juventude seja protagonista no seguimento de Jesus e na transformação do mundo. O texto-base da CF diz que “o protagonista é aquele que participa da sociedade e da Igreja de modo a influir significativamente nas transformações que fazem o mundo melhor”. Isto significa que a ação do protagonista sempre promove uma transformação em qualquer realidade onde ele estiver. Sem o protagonismo, não há motivação para “assumir responsabilidades, tomar iniciativa e desenvolver habilidades de liderança”.
Já dissemos anteriormente que a Juventude deve ser vista como “um lugar teológico” e que o “acompanhamento de assessores adultos” é muito importante para o protagonismo dos jovens e para “despertar o interesse na formação integral”. Mas é muito importante também “repensar as formas de ir ao encontro dos jovens”, porque as “novas linguagens” e os ”novos paradigmas” influenciam a pessoa, gerando “uma identidade nem sempre compreendida e vivenciada pelas novas gerações”. Portanto, é preciso dar voz ao jovem para que ele evangelize “a partir das realidades deste novo milênio”. Algumas formas utilizadas no passado já não são mais adequadas para que os jovens se motivem e se lancem nos serviços da Igreja.
Na sua visita ao Brasil, o Papa Bento XVI, no “Discurso aos Jovens Brasileiros”, dizia assim: “Podeis ser protagonistas de uma sociedade nova se procurais pôr em prática uma vivência real inspirada nos valores morais universais e também um empenho pessoal de formação humana e espiritual de vital importância”. O Papa fala “protagonista de uma sociedade nova”, diferente, voltada para o bem, para a solidariedade, a partilha, a sensibilidade ao sofrimento do outro. A sociedade que precisamos construir não pode ser nova se for uma reprodução dos pensamentos antigos, dos costumes do passado, mas deve ser um lugar transformado pela nova maneira de pensar e agir inspirada na experiência de quem se apaixonou por Jesus e com Ele deseja viver. O protagonismo juvenil deve ser buscado dentro ou fora da Igreja.
O Papa Bento XVI, em visita pastoral para os jovens, disse: “Permiti que o mistério de Cristo ilumine toda a vossa pessoa! Então, podereis levar aos vários ambientes aquela novidade que pode mudar os relacionamentos, as instituições, e as estruturas, para edificar um mundo mais justo e solidário, animado pela busca do bem comum. Não cedais a lógicas individualistas e egoístas. Que vos conforte o testemunho de muitos jovens que alcançaram a meta da santidade”. Isso significa que o protagonismo desejado pela Igreja deve dar um novo sentido para a vida; deixar que a luz de Cristo ilumine a pessoa toda; experimentar a novidade que muda os relacionamentos; não viver como egoísta no individualismo que exclui, que não partilha, que devasta a natureza, que gera um coração duro e sem amor. E para ajudar a orientar esse novo caminho para a vida, o novo sentido para existência, é preciso olhar o testemunho, a vida dos santos, pois eles falam como aderir a Cristo. A adesão a Cristo “dá sentido a vida e transforma a existência”. O compromisso com Cristo não é uma teoria, é um “encontro que sacia o coração e muda os rumos dos projetos pessoais de vida”.
Amanhã vamos continuar falando sobre outros aspectos do “Protagonismo dos jovens”. Que no dia de hoje você sinta a segurança do colo materno de Deus! Até amanhã!

Ir. José Torres, CSsR.

(CF 2013 - Fraternidade e Juventude: Segunda Parte, “Protagonismo dos Jovens”, p. 77 - 79).

terça-feira, 5 de março de 2013

CF 2013: Juventude no Brasil: horizonte do Reino


No nosso último texto, começamos a conversar sobre o tema “O jovem no coração da Igreja”. Conversamos sobre alguns elementos importantes para que o jovem possa exercitar o seu protagonismo. Hoje vamos continuar entendendo como o coração da Igreja recebe a juventude.
Em primeiro lugar é importante considerar que, para evangelizar, a Igreja “é chamada a manter acesa a chama do amor do jovem pelo projeto de Deus”, pelo seu “Reino”. No horizonte, está o Reino, quer dizer, a meta, o objetivo, os desejos se voltam para o Reino. Esse Reino, o “reinado de Jesus”, vai além de “tudo aquilo que o mundo oferece como solução imediata”. O jovem que “já se apaixonou pelo reino”, torna-se um semeador, “transmite aos outros a própria experiência de Jesus”; é como o fermento na massa que ”enche a vida de esperança, de ânimo e de força diante das dificuldades e do mal”. Esse é um compromisso que todo batizado deve assumir. E a catequese é o espaço aonde o jovem vai conhecer, experimentar e se apaixonar pelo Cristo. Somente uma “catequese atraente e o acompanhamento sistemático” da juventude, “garantem o encontro qualificado e constante dos jovens com a proposta do Reino”.
A Igreja no Brasil, intensificou sua ação para despertar no jovem esse compromisso de assumir o reino como horizonte da evangelização. Nos anos 50 e 60 ela procurou “responder às necessidades da época” e desenvolveu uma série de movimentos direcionados aos jovens, influenciados pela Ação Católica (“conjunto de movimentos criados pela Igreja Católica no século XX, visando ampliar sua influência na sociedade, através da inclusão de setores específicos do laicado e do fortalecimento da fé religiosa, com base na Doutrina Social da Igreja” - Wikipédia). No final dos anos 70, surgem os “movimentos de Encontros”; no início dos anos 80, “surge o Setor Juventude da CNBB e a Pastoral Orgânica (como a Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude do Meio Popular, Pastoral da Juventude Estudantil e a Pastoral da Juventude Rural). Em 1992, a Campanha da Fraternidade do Brasil se volta para a juventude. Em 1996 e 1998, foram publicados dois importantes Estudos da CNBB; Pastoral da Juventude no Brasil e Marco Referencial da Pastoral da Juventude do Brasil”. Ao mesmo tempo, surgiram trabalhos de evangelização nas escolas, universidades e projetos de iniciativa de várias congregações religiosas. Em 2011, a CNBB criou a “Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude” com o objetivo de acompanhar as pastorais da juventude em todas as paróquias e dioceses. E neste ano, “a Igreja do Brasil se beneficia” com a JMJ e a CF e reforça ainda mais o compromisso da “opção afetiva e efetiva pelos jovens”. Tudo isso significa que a Igreja do Brasil, “renova sua opção pelos jovens”.
Outra realidade que nos faz enxergar o jovem no coração da Igreja é o conteúdo do lema da CF deste ano. O lema “eis-me aqui, envia-me”, supõe “confiança no chamado de Deus”, como fez Isaías, como fez Jesus Cristo, fazendo a vontade do Pai, “esvaziando-se por inteiro para cumprir sua missão”. A Igreja do Brasil confia que o jovem é capaz de ser como Isaías que, quando foi “escutado e acolhido”, deixou “sua voz se expandir, testemunhando convicção, tomada de posição, disponibilidade, autoestima, resposta de qualidade ao chamado maior da alteridade e do serviço”. A Igreja aposta no jovem e conta com a sua resposta para ajudar a compreender “como se manipulam as redes sociais” e as realidades que se “processam na organização dos pensamentos, dos sentimentos e das ações” nos dias de hoje.
Continuaremos na próxima oportunidade falando sobre o tema do “jovem no coração da igreja” e vamos retomar o tema do protagonismo juvenil, que está no centro das nossas reflexões. Que hoje, a chama do amor de Deus continue renovando o seu coração!

Ir. José Torres, CSsR.

(CF 2013 - Fraternidade e Juventude: Segunda Parte, “Jovem no coração da Igreja”, p. 72 - 76).

segunda-feira, 4 de março de 2013

CF 2013: Espaços eclesiais de exercício do protagonismo dos jovens


Estamos conversando sobre “O jovem no coração da Igreja”, uma das reflexões do texto-base da CF 2013. A Igreja do Brasil afirma que Deus se revela através do rosto dos jovens e por isso, é necessário que se faça uma opção “afetiva e efetiva” pelos jovens, especialmente pelos mais abandonados. Foi o que refletimos na última oportunidade. E hoje vamos continuar falando sobre o tema.
É claro, para o jovem adentrar na dinâmica da Igreja, ela precisa abrir seus espaços eclesiais. Sem isso, o jovem não poderá exercitar o seu protagonismo. A Igreja é nossa “Mãe na fé” e, como Maria foi, ela também é fiel ao Projeto de Deus.  A Igreja se inspira em Maria e, junto aos jovens, é “mãe educadora”, “catequista dos jovens”.
Vejamos alguns elementos importantes para que o jovem exercite o seu protagonismo:
- A catequese é um espaço importante para o protagonismo dos jovens nas comunidades. A catequese da “iniciação cristã” capacita os jovens a serem missionários junto a outros jovens. O “Diretório Nacional de Catequese” diz que “no coração da catequese aos jovens, está a proposta explícita do seguimento a Cristo”. A catequese deve ser também um espaço de “experiência de fé” e de “abertura sincera aos problemas da sociedade”.
- A “Leitura orante” da Palavra de Deus é outro espaço que ajuda o jovem a caminhar com autonomia e segurança em sua espiritualidade, alicerçando ainda mais o seu protagonismo. Mergulhando nas Sagradas Escrituras, entramos em contato com o “povo que – seguro da escolha de Deus - nunca desanima e sempre se mostra criativo para enfrentar o mundo e propor novos caminhos”. A Leitura Orante, ajuda o jovem a conhecer Jesus mais profundamente para comprometer-se em sua missão.
O protagonismo juvenil é fortalecido através dos “grupos de jovens, pastorais da juventude, movimentos, novas comunidades e demais experiências em grupo”, porque são lugares que proporcionam educação e crescimento para os jovens. E toda a Igreja deve assumir essa “opção preferencial pelos jovens” para ajuda-los em seu desenvolvimento global. A missão das estruturas da Igreja é “acolher, gerar e garantir vida, proporcionar espaços de amadurecimento constante a fim de que os jovens possam, assim como Jesus, crescer em ´estatura, sabedoria e graça´ e testemunhar, diante do mundo, o Reino de Deus. Os jovens só poderão ser bons “mensageiros e edificadores” do Reino, se forem acolhidos nas organizações da Igreja, encontrando espaço para a experiência de fé, amizade e trabalho em conjunto.
Na Igreja, outro espaço importante para a construção do protagonismo juvenil é a presença educativa e orientadora das pessoas adultas. Os assessores adultos podem exercer sua “missionariedade de maneira respeitosa”, sem “postura impositiva”, acolhendo e valorizando os jovens. Estão de parabéns essas pessoas que estão sempre presentes na vida da juventude, motivando, animando, orientando e contribuindo para que a nossa Igreja mostre a face jovem de Deus.
Enfim, para que o jovem seja protagonista no seguimento de Jesus, deve encontrar espaços que o ajudem a exercitar o seu protagonismo. Isso significa ter um lugar de crescimento na fé e nas outras dimensões da vida, espaço em que ele possa errar e acertar e, aos poucos cresça na fé e assuma responsabilidades na missão de evangelizar.
No próximo encontro, vamos continuar nossa reflexão falando sobre “o horizonte do Reino” de Deus. Viva bem a graça do presente do dia de hoje! Até segunda, se Deus quiser!
Ir. José Torres, CSsR.

(CF 2013 - Fraternidade e Juventude: Segunda Parte, “Espaços eclesiais de exercício do protagonismo dos jovens”, p. 69 - 72).