segunda-feira, 20 de maio de 2013

Homofobia, Modernidade e a Posição da Igreja


O facebook também suscita possibilidades para algumas reflexões.
Estamos vivendo novos tempos dos quais se ouve, de muitos, ser uma época de mudanças. De mudanças rápidas, de avanços tecnológicos, científicos, ideológicos. Mudanças que abraçam a sociedade moderna e, esta, diz seu sim à tamanha velocidade.
Recordemo-nos que há dez anos possuir um aparelho celular, por mais simples que fosse, era para poucos. Era artigo de luxo. Há vinte anos não se permitia nem pensar nessa possibilidade. Hoje, para ilustrar esta realidade, meus sobrinhos de nove e dez anos possuem celular.
Que bom seria se nossa mentalidade moral também acompanhasse essa velocidade de mudanças, acompanhando os avanços tecnológicos da sociedade moderna, sobretudo, no que diz respeito a assuntos que, infelizmente, ainda são tabus para nós, homens “ultra modernos” do avançadíssimo século XXI.
Ontem foi publicada uma matéria em um site de noticias sobre a aprovação do casamento gay nos cartórios do Brasil. A mídia televisiva também não deixou de mencionar. Toda a mídia estava focada nesse assunto, embora não mais do que na derrota do Corinthians. Futebol ainda é, para muitos, mais importante do que conquistas de direitos da minoria.
Mas uma boa discussão surge no facebook acerca dessa temática, a partir de um texto oficial da Igreja. Discussão esta que nos faz refletir e avaliar nossas posturas humanas e cristãs diante desse século de mudanças. Diversas ópticas são encontradas acerca dessa temática ainda tão polêmica. A instituição Religiosa, bem como a sociedade fortemente marcada pela cultura religiosa, carrega há tanto tempo seus estigmas.
A Igreja afirma que “Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.” (CIC 2858).
É interessante perceber que, ainda hoje, há um clima tenso na sociedade laica acerca da Igreja quando o assunto é homossexualidade, embora há cerca de 20 anos tenha surgido um texto tão avançado como esse citado acima. A igreja mesmo antes de publicar esse texto já defendia o respeito às diferenças. Mentalidade alcançada como fruto do Concílio Ecumênico Vaticano II em meados da década de 1960.
Talvez essa defesa ainda seja muito tímida e essa seja a resposta que justifica esse clima tão áspero no meio popular em relação à Igreja. A verdade é que esse assunto ainda não é tratado com tranquilidade por nenhum de nós. Temos muito que aprender, não só com a Igreja, mas com o próprio Jesus de Nazaré que sempre acolheu o diferente. Ele não só os acolheu defendendo-os, mas inserindo-os, dando-lhes dignidade e vida, e vida em abundância. Foi com eles, com a minoria, os excluídos, que Jesus fez tantas vezes a sagrada refeição judaica. E hoje, quem pode sentar-se à mesa conosco?!
Pouca gente conhece esse texto do Catecismo da Igreja Católica. E pouca informação é transmitida com fidelidade ao espírito evangélico dos textos oficiais da igreja. A mídia tem a vocação de transmitir informações incompletas e a Igreja, por sua vez, tem a vocação de não tratar abertamente assuntos tão polêmicos. E os crentes continuam de olhos vendados, enquanto o embate entre Igreja e sociedade continua com grande vigor.
Eu só lamento que as pessoas só resolvam respeitar o diferente porque “está no catecismo da Igreja Católica”. Isso só mostra que aprendem muito pouco do evangelho, ou por que não dizer quase nada. Isso mostra o quanto somos desumanos e o quanto a tutela de uma instituição nos faz pobres. Ah se soubéssemos nos respeitar, enxergar o outro como nosso irmão pelo simples fato de sermos humanos (eu disse simples?! Sim! realmente deveria ser simples). Ah! se aprendêssemos a “amar como Jesus amou”, sonhar, pensar, viver, sentir, sorrir como Ele. Certamente não precisaríamos dessa tutela e não recorreríamos a esses recursos para sermos verdadeiramente humanos e acolhedores.
Não estou negando a importância dos escritos da nossa Igreja. O fato não é simplesmente respeitar o que está escrito, mas escrever sobre o respeito e isso a Igreja fez. Insisto que já deveríamos há muito tempo ter aprendido a lição sobre o respeito. Mas nunca é tarde. Ainda temos muito que aprender.
Vamos olhar por outra óptica. Na sociedade de duas décadas atrás, onde este problema ainda nem de perto era posto da forma como é hoje, os homens que escreveram o texto do catecismo já tinham a mentalidade do respeito à diversidade. Isto demonstra, de certo modo, uma avançada mentalidade.
Sempre haverão ópticas sob diversos ângulos e isso é muito bom, maravilhoso, enriquecedor. Novas visões deverão sempre ser bem vindas, desde que abram sempre a possibilidade de nos tornamos cada vez mais humanos. A lição de casa que a Igreja nos apresenta deve ser bem compreendida por nós e por ela mesma. Ela é mestra eficaz. Mas, você há de concordar comigo que, em 20 anos de escrita, pouca coisa (disse pouca e não nada, só pra deixar claro) foi ensinada, aprendida e muito menos pregada a favor desse assunto. E o contrário é verdadeiro! Haverá de concordar também que, mesmo tendo escritos bem avançados, há práticas que não condizem muito com esse escrito, em específico. Eu louvo a Deus que agora seja a hora do surgimento do novo, da abertura ao diálogo e que as mentes avançadas de outrora penetrem nos corações de hoje.
Afinal, devemos aprender com Jesus e com a Igreja que é meio eficaz para esse aprendizado. Acreditando nisso, é bom percebermos que é possível uma reflexão aberta ao mundo de hoje sem entrar em contradição com o que ela, a Igreja, aprendeu de Jesus antes de nós. O que é certo é que, de todos os lados, há pontos que precisam ser revistos.
Por Renato Azevedo

domingo, 21 de abril de 2013

Questionando nossa música católica


A música tem um poder transformador. Estudos diversos em torno dos sons e da música demonstram o seu poder terapêutico. São infinitas as possibilidades de transformação dos estados de ânimo, as mudanças de comportamento no ser humano e também nos animais e até nas plantas. A Musicoterapia é a disciplina por excelência capaz de observar essas transformações através de estudos e experimentos. Aliada a ela, outras áreas do conhecimento ajudam nas descobertas de novos caminhos de superação dos desafios que a vida nos impõem. Nunca houve uma diversidade de sons ritmos e melodias diferentes como na pós-modernidade. Vivemos num tempo de poluição de todos os tipos, incluindo a poluição sonora.

Constata-se que em nossas igrejas e comunidades católicas, graças a criatividade de seus músicos, multiplicam-se as canções, os ritmos, os novos estilos e autores e cada dia aparece mais jovens nelas mergulhados. No geral, são músicas de belas melodias, que impelem a certa mudança de vida; músicas para adoração, para pedir perdão, para aprender a perdoar, para superar um sentimento negativo, músicas que falam sobre Deus... a temática é infindável. São músicas de cunho religioso que, em grande parte tratam da relação “eu e Deus”.

Para onde a música católica está nos levando? Em que nossa juventude está sendo moldada? Em que rumo está sendo levada? As músicas católicas estão transformando os nossos jovens? Em que? Somente analisando suas mensagens poderemos obter uma resposta mais aprofundada, o que não é o objetivo deste texto. O conteúdo mais que a forma é o que desperta dúvidas.

Não discuto aqui a música litúrgica, o foco é questionar até que ponto estamos utilizando do poder da música para transformar  nossa juventude e os que delas estão se utilizando. O conteúdo expresso deveria ser capaz de transformar a “vida da pessoa toda” e não apenas a sua dimensão religiosa, afinal, esta, não é mais importante que as demais dimensões. Porque será que temos em nossas igrejas tanta gente se casando mas não sabe relacionar-se com o cônjuge?... jovens que celebram o Sacramento do Crisma e logo some da Igreja?...  Talvez seja a supervalorização da dimensão religiosa, esquecendo-se das dimensões afetiva, social, etc. Podemos cantar o amor de Deus por nós, a importância dos sacramentos, os milagres de Jesus... mas se a melodia não iluminar o chão da vida e a pessoa não for capaz de lidar com suas questões sexuais, afetivas, relacionais, econômicas, intelectuais... a melodia da vida pode virar uma completa desorganização e desafinar o concerto da existência.

A impressão é que a maioria das músicas se propõem a afagar e fortalecer egos, o que a primeira vista pode ser muito positivo. Porém, pode levar a uma posição de conforto ou a um sentimento de saciedade, sem que leve a inovar e renovar o cotidiano. Assim, a música religiosa pode não inspirar nem mostrar caminhos novos para que as pessoas dêm passos significativos e transformadores, afinal elas ouviram apenas o que desejavam ouvir, faltando um contato fecundo com a poesia que as inspire na busca de outros rumos.  A visão reduzida só as faz patinar no lugar onde estão, afinal, quem pouco enxerga, pouco caminha.

Ademais, essa cultura frágil e líquida em que vivemos, não colabora para que surjam novos poetas, com novos conteúdos musicados, com poesia de qualidade. É difícil encontrar músicas com poemas admiráveis, com sabedoria e mística, com o encanto das perguntas. Os cantores e poetas mais admirados estão chegando ao entardecer da vida e estamos ficando com a mesmice periférica da pós-modernidade, que muitas vezes canta respostas de perguntas que não foram feitas. A música transformadora não é aquela que responde dogmaticamente as perguntas de alguém, mas é aquela que provoca a descoberta das questões até então não despertadas, impulsionando as descobertas de respostas e novas perguntas.

Música é também arte que alimenta a alma, a existência. Com ela, podemos transformar a vida das pessoas e mostrar-lhe novos caminhos, rumos diferentes e assim, desperta-las para a busca de sua realização. Cabe àqueles que têm em suas mãos o poder transformador da música, zelar pelo enriquecimento de suas obras não oferecendo o “feijão com arroz” sem que capriche com arte e sabedoria divinas o alimento melodioso da inspiração, da admiração, que provoque e não apenas console; que motive a descoberta das rotas do prazer da vida e não proponha sofrer; que leve a uma experiência de Deus e não apenas O adore. Músicas que alimentem e façam sonhar, pois quem é fecundado de sonhos possui força e motivação para transformar a vida e a realidade em que vive.

Ir. José Torres, CSsR.

sexta-feira, 22 de março de 2013

CF 2013: um resumo


No último encontro conversamos sobre as Pistas de ação para que nossas comunidades e paróquias promovam o protagonismo juvenil. Com isso, chegamos ao final do conteúdo específico do texto-base da CF 2013. E hoje, é o nosso último encontro sobre esse tema. Mas vale a pena fazer uma síntese de tudo que nós conversamos durante estes 27 encontros sobre o protagonismo da juventude.

A primeira parte do texto-base lembra-nos que vivemos numa época de mudanças. Isso traz uma crise no sentido da vida, as relações de gratuidade deixam de existir, a relação entre pais e filhos fica confusas, os laços entre as pessoas e a comunidade se fragilizaram. Neste contexto de mudança, a cultura midiática tem grande contribuição, pois ela criou um novo ambiente para as relações. Mas redes sociais são um grande avanço para a comunicação, pois criou um novo modo de relação, envolvendo os jovens. Ao mesmo tempo, a sociedade não garantiu a inclusão de todos os jovens nesses processos de comunicação, temos aí o que chamamos de “excluídos digitais”.

Os jovens de hoje, “dominam as relações baseadas na interatividade” e “têm uma nova maneira de se relacionar na família”; não querem mais uma educação baseada em abordagens antigas; eles têm uma visão mais ampla da realidade, uma “visão planetária”; é uma juventude “aberta ao mundo e à solidariedade”. Diante da Igreja as novas gerações “querem ser ativas”, desejam contribuir e fazer a diferença. A Igreja incentiva os jovens a se lançarem no uso das novas tecnologias para que, como protagonistas, eles contribuam no processo de evangelização. Para isso, é preciso que a juventude se organize em seus grupos ou tribos, utilizem das novas linguagens e lutem pelos seus direitos, contra as desigualdades de renda, de espaços urbanos, de escolaridade, de trabalho, de gênero. A violência e a exclusão contra os jovens é uma realidade assustadora que deve ser banida da sociedade. É necessário lutar por políticas públicas que acabem com as desigualdades entre os jovens.

A segunda parte mostra quais são os exemplos de jovens protagonistas, desde as Sagradas Escrituras até a modernidade. No AT vimos alguns como: José do Egito, Salomão, Davi, Samuel, Ester, Isaías, Rebeca... No NT lembramos Jesus, São Paulo, Maria, São, João, e São Marcos. Na história da Igreja: Santa Inês, São Luiz Gonzaga, São Domingos Sávio, Beato José de Anchieta e tantos outros. A igreja deseja que os jovens conheçam Jesus, se apaixonem por ele e sejam seus seguidores. Por isso, ela aposta no jovem, faz uma ”opção afetiva e efetiva” pela juventude e promove o seu protagonismo.

A terceira parte do texto-base indica duas atitudes essenciais para promover o protagonismo juvenil. A primeira atitude é a conversão. A própria Igreja, comunidades e paróquias precisam se converter aos jovens. A sociedade, precisa se abrir aos jovens, porque eles sejam protagonistas, artífices de uma “renovação social”. A segunda atitude é abrir-se às novidades para poder recriar o sentido da existência, as relações com Deus, consigo, com a sociedade e com o meio ambiente.  “Eis-me aqui, envia-me”, é a atitude fundamental neste momento do texto-base. E aqui, a CF faz as sugestões práticas para que toda as falas bonitas escritas no texto-base, aconteçam de verdade. E nós já conversamos sobre essas propostas em âmbito pessoal, eclesial e social. Mas a CNBB pede que a todas as comunidades e paróquias façam no Domingo de Ramos a Coleta da Solidariedade, que é um gesto concreto para os projetos “voltados para as ações com jovens”, em parceria com a Cáritas Brasileira. Dê sua contribuição, coloque-se numa atitude de quem diz: “Eis-me aqui, envia-me”.

            Amigos(as), espero que você tenha adquirido boas informações sobre o tema da CF deste ano, para que você ajude os jovens a serem protagonistas de uma nova história. Que Deus abençoe sua vida. Que desça sobre você, sua família e sua comunidade, o carinho, a ternura, o sorriso e o abraço do Cristo Redentor. Obrigado pela sua companhia!

 

Ir. José Torres, CSsR

CF 2013: Pistas de ação em âmbito social

        Estamos conversando sobrea as sugestões da CF, para nossas comunidades. Já falamos sobre as propostas em “âmbito pessoal”, ontem falamos sobre as proposta em “âmbito eclesial” e hoje vamos conversar sobre as propostas em “âmbito social”. São três dimensões importantes para alcançar a totalidade do protagonismo juvenil.

Quais as pistas de ação, as sugestões para a juventude em nível social?
 
1-      Em primeiro lugar, “valorizar as famílias como células da sociedade”, porque é na família que o jovem encontra as “condições necessárias para o seu desenvolvimento humano e espiritual”.

2-      Encontrar “oportunidades de formação humano-afetiva aos jovens, nas escolas, nas paróquias, nas universidades, nas organizações públicas e não-governamentais”. São espaços de orientação sobre os caminhos a serem escolhidos pelos jovens para poderem formar-se como gente.

3-      “incentivar as artes: música, teatro, poesia, cinema, esportes, dança. A imagem exerce um verdadeiro fascínio no povo brasileiro”, especialmente no mundo dos jovens. Além disso, as artes ajudam na formação, na educação, no equilíbrio, na formação para a sensibilidade. A arte é um espaço importantíssimo para a evangelização e o jovem pode ocupar muito bem esse lugar.

4-      “incentivar a criação do site da escola, dos estudantes, de uma sala de aula, de grupos de estudo e de pesquisa, de blogs de conhecimento e de difusão de mensagens”, e ensinar como utilizar esses recursos, através de oficinas.

5-      É muito importante que os jovens sejam provocados a utilizar “o conhecimento adquirido para o processo de constante compreensão e análise das situações do mundo de hoje”. Isso quer dizer que os estudos devem ajudar os jovens a entender melhor os acontecimentos do mundo, para que eles não sejam enganados pela política, pela religião ou pelos meios de comunicação.

6-      “promover o voluntariado jovem e diversas oportunidades para a realização dos projetos missionários”. Por exemplo: existe uma grande necessidade de atuação de jovens católicos nas Universidades, de grupos de reflexão, de diálogo inter-religioso. É preciso fazer crescer esse voluntariado.

7-      Incentivar e organizar os “jovens profissionais” a serem missionários em seus ambientes de trabalho. É lá que eles poderão dar o testemunho alegre do ser cristão e assim, plantarem sementes do Evangelho que poderão dar frutos.

8-      Utilizar as redes sociais para “divulgar e infundir o bem comum” através de “fóruns, debates, e discussões” pela internet.  Por exemplo: quando existe alguma injustiça contra alguém do bairro ou da comunidade, é preciso denunciar e mobilizar as pessoas para cobrar justiça. E as redes sociais são muito úteis nesse serviço. Denunciar as violações de direitos contra os jovens.

9-      No uso dos instrumentos de comunicação, promover políticas de comunicação que incluam as pessoas; promover “oficinas sobre como utilizar as novas tecnologias na sala de aula, na Igreja, na comunidade”, para que usem “corretamente e com segurança as ferramentas virtuais”.

10-  “Reivindicar que os poderes públicos assegurem mecanismos para o protagonismo dos jovens”; participação dos jovens nos Conselhos de Juventude.

11-  Denunciar as violações de direitos contra os jovens. Participar da “Campanha nacional contra a violência e o extermínio de jovens”.


Amigos(as), com essas sugestões ou, “pistas de ação”, chegamos ao final da terceira parte do texto-base da CF e o final do conteúdo específico. Amanhã, vamos fazer o fechamento dos nossos encontros. Fique na segurança do abraço de Deus! Até amanhã!

Ir. José Torres, CSsR.

 (CF 2013 - Fraternidade e Juventude: Terceira Parte, “Eis-me aqui, envia-me”, p.119 - 120).

quinta-feira, 21 de março de 2013

CF 2013: Pistas de ação em âmbito Eclesial


O protagonismo juvenil é o tema central da CF. O “que” fazer e “como” fazer para que isso aconteça? Ontem conversamos sobre ações “em âmbito pessoal” que devem se tornar práticas nas comunidades. Hoje, vamos nos deter sobre as ações a serem planejadas e executadas no âmbito da Igreja. São ideias, sugestões para o seu trabalho com a juventude.
 
1-      “A primeira pista de ação é “cuidar para que sejam propiciados aos jovens espaços e momentos para o seu encontro pessoa com Cristo. Favorecer encontros de oração, congressos, cenáculos, seminários vocacionais, semanas jovens, jornadas diocesanas e paroquial de juventude”.
2-      “Auxiliar os jovens para que encontrem na Igreja a acolhida maternal, amando-a e reconhecendo-a como educadora e mestra de humanidades”.

3-      “organizar com carinho e com profundidade a catequese de iniciação cristã” (Primeira Comunhão, Crisma). Elaborar um projeto sólido de catequese, com linguagem jovem, acessível a todos. Divulgar e incentivar a leitura do “youcat” para que os jovens conheçam o conteúdo da fé cristã.

4-      “aproveitar ocasiões para o estudo do Catecismo da Igreja Católica” e também para explicações sobre os conteúdos do Ano da Fé, proposto pelo Papa Emérito Bento XVI.

5-      “promover nas universidades debates sobre  a relação entre razão e fé, ciência e fé, sobre temas atuais relevantes apresentados a partir  da perspectiva da fé cristã”. Seria formar grupos de reflexão para falar sobre os assuntos mais complexos que atingem a vida das pessoas. Esse diálogo se torna muito enriquecedor e ajuda esclarecer muitas dúvidas.

6-      Utilizar o quanto possível os “novos recursos midiáticos de comunicação”, “não só para o anúncio do Evangelho e divulgação dos eventos pastorais, mas também para uma catequese mais viva e atraente´”. O desafio é perceber quais as pessoas que não têm acesso a essa mídia e incluí-las nesse processo, porque não é coerente oferecer conteúdos através das mídias, mas ver que alguns não têm acesso a elas. O que fazer numa situação dessas? Fazer de conta que não existe ou procurar incluí-los?

7-      Valorizar e acolher os jovens nas atividades e serviços das comunidades, pois eles estão cheios de riquezas e potencialidades. Nessa fase a juventude tem um grande desejo de solidariedade, de produzir, de acontecer e essa energia toda deve ser canalizada para o serviço do Reino.

8-      “Reconhecer os jovens como sujeitos de direitos, cuja voz deve ser ouvida, acolhida e respeitada. A criatividade dos jovens é fundamental e fecunda para os projetos, para os planos e para as ações pastorais”. Todos devem levar a sério suas opiniões e ideias. Por isso devem ser ouvidos e respeitados nos Conselhos das comunidades, das paróquias e pelas lideranças.

9-      Articular e motivar a criação de grupos de jovens, pastorais da juventude e outros grupos. Mas, além disso, é preciso oferecer condições para que os grupos caminhem e não se percam depois de alguns meses de funcionamento.

10-   Dialogar e se aproximar dos jovens, valorizar suas iniciativas, apoiá-los nas suas propostas.

11-  “Preparar os jovens para o diálogo inter-religioso, para que desenvolvam o sentido da fraternidade universal dos seres humanos diante de Deus”; prepara-los para o respeito “às diversidades das experiências religiosas do nosso povo”, para valorizar suas sua história e costumes.

12-  ‘Educar os jovens para O DIÁLOGO ENTRE FÉ E RAZÃO,” para que se preparem  para “dar as razões da própria fé”.

       Pois bem, amigos, estas foram algumas pistas oferecidas pelo texto-base para serem encaminhadas e implantadas nas nossas paróquias e comunidades. Comece a pensar na sua: quais dessas propostas são possíveis de acontecer? Amanhã vamos continuar com outras sugestões. Deus abençoe você! Até amanhã!

Ir. José Torres, CSsR.

 

(CF 2013 - Fraternidade e Juventude: Terceira Parte, “Eis-me aqui, envia-me”, p.111 - 112).

CF 2013: Pistas de ação em âto pessoal

           Estamos perto de finalizar nossos encontros de reflexão sobre o texto-base da CF. Depois de passarmos por quase todo o conteúdo, estamos falando sobre coisas mais concretas, sobre as “linhas de ação” e “pistas de ação”: o que fazer diante dessas reflexões. Porque se a gente conversa, diz coisas bonitas e inteligentes e depois esquece o que foi dito e não começa a agir, não vale a pena a reflexão. As informações tem de se tornar conhecimento, quer dizer, aquilo que nós refletimos na teoria, tem de se tornar prática, ação, verdade. Só assim, podemos transformar a vida, a realidade em que vivemos. É como a encarnação: “a Palavra de Deus se tornou carne e veio morar entre nós”. E tudo se transformou!
            O texto da CF nos sugere oito pistas para que cada comunidade, paróquia, setor de evangelização possa ajudar o jovem a aplicar em sua vida, a partir deste tempo. São “pistas de ação” no âmbito pessoal:

1-      “Despertar os jovens para o profundo sentido da consciência humana, que apela sempre para o que há de mais digno, justo e belo” (quer dizer, perceber que o ser humano e cada pessoa possui sua beleza, seu valor, suas diferenças, que cada pessoa é única e precisa ser amada e preservada);

2-      “proporcionar aos jovens oportunidades de diálogo com os pais, com os professores, com sacerdotes, com os consagrados, com os seminaristas, com os catequistas, a respeito de seus projetos, de sua vocação, de seus desafios, de seus medos, de seus sonhos” (Isso pode ser feito através de encontros, retiros, eventos que juntem jovens que possam expressar suas questões pessoais e partilhar suas vidas; muitas vezes o jovem não tem uma boa relação com os pais mas um seminarista, um padre, o catequista, alguém com quem o jovem tenha mais proximidade e confiança poderá ser uma luz para acabar com suas angústias. E a comunidade pode promover esse momento importante de formação para o jovem);

3-      “auxiliar os jovens a se compreender nessa mudança de época e a tomar consciência da realidade da cultura midiática em que se encontram, percebendo valores, desafios e perigos” (conversar sempre ajuda, esclarece, desperta; sem impor, sempre em diálogo, acolhendo e propondo);

4-      “favorecer condições para que os jovens se abram à preciosidade da espiritualidade e da mensagem cristã, ao encontro profundo e sincero com Jesus Cristo” (é muito importante promover momentos de retiros para que os jovens vivam e se aprofundem na espiritualidade cristã);

5-      “orientar os jovens para que adiram às organizações, instituições, diretórios acadêmicos em vista de seus direitos, da dignidade da vida humana e dos valores éticos fundamentais; incentivá-los para que se engajem na luta contra a violência infantil, contra o trabalho escravo, contra o tráfico humano e contra o narcotráfico” (muitos jovens não sabem dessas situações, é preciso passar informações, promover debates, sugerir ações, envolver o coração dos jovens nesses temas);

6-      “proporcionar condições para que os jovens formem, nas Dioceses, nas paróquias, nas escolas e nas universidades, grupos de voluntariado e, por meio das novas mídias, criem uma rede de trabalho solidário na área da saúde, da educação e da promoção humana”;

7-      “apoiar os jovens na organização de oficinas sobre temas ligados à promoção da vida, à espiritualidade, á vida missionária, ao compromisso político e ambiental”;

8-      “incentivar os jovens a produzir, em linguagem midiática, mensagens para serem veiculadas no formato de clipping eletrônico, videoclipes para o Youtube e para outras redes sociais” (e essa é uma sugestão que já existe com toda força nas redes sociais, há vídeos fantásticos postados na internet, que podemos também utilizá-los em momentos de formação).

Hoje falamos sobre as linhas de ação em âmbito pessoal. Amanhã, vamos conversar sobre as linhas de ação em âmbito eclesial. Continue na paz do Cristo Redentor. Até amanhã.

 

Ir. José Torres, CSsR.
(CF 2013 - Fraternidade e Juventude: Terceira Parte, “Eis-me aqui, envia-me”, p.102 - 103).

terça-feira, 19 de março de 2013

CF 2013: Linhas de ação para o protagonismo jovem


Vamos conversar agora sobre o lema da CF 2013: “Eis-me aqui, envia-me”, que tem como um dos objetivos promover o protagonismo dos jovens, tendo em vista do bem de toda a Igreja e da sociedade.
Quando a Igreja promove o protagonismo da juventude, não quer que isso tome um “sentido de autonomia inconsequente”, como se o jovem agora pudesse fazer oque quiser, como quiser, sem coerência, não é isso. A Igreja quer reconhecer o potencial do jovem, que precisa ser “orientado e discernido, com paciência e com responsabilidade”, par que ele possa se formar e colaborar com a “cidadania e a dignidade da vida humana”. Os meios de comunicação é um espaço, um ambiente em que cada pessoa deve ser responsável pelas suas escolhas, atitudes, religião, “pelo compromisso com o outro, pela ética, pela cultura e pela sociedade”.
A CF sugere algumas linhas de ação e pistas práticas para serem trabalhadas nas comunidades , “levando em conta cada realidade.
1-      Em âmbito pessoal, a Igreja apresenta Jesus como o “modelo de inspiração”, que tem um projeto de vida para oferecer, Jesus que “ensina o homem a ser homens, porque é o caminho, a verdade e a vida para todos”.
Na dimensão psicossocial, os cuidados com a “personalidade, a identidade e a sexualidade”. É na juventude que se forma a personalidade, é a “fase de “maior energia, de criatividade, de generosidade e de potencial para o engajamento na vida social”. Mas surgem as dúvidas ee inseguranças sobre o futuro, sobre a vocação e a profissão a seguir.. é preciso ter autoconhecimento e autocrítica “para analisar as situações com objetividade”. Os amigos, mestres, educadores, catequistas e sacerdotes são fundamentais, para ajuda-los “a encontrar o seu caminho, construir sua personalidade de forma autêntica e sincera” e especialmente para orientá-los sobre os perigos que eles podem enfrentar na vida e sobre a postura de coerência que devem ter. “A afetividade é a capacidade de estabelecer relações profundamente humanas com os outros. A amizade é algo natural e importante na vida do jovem. Por isso, uma orientação clara a respeito das relações equilibradas, da amizade fraternal, das divergências suscitadas pela competitividade e pela concorrência social, é um grande apoio para o jovem construir sua visão de mundo”.
Na dimensão da abertura para Deus e para a transcendência:, como sempre intelectuais, os pensadores  no passado disseram que o cristianismo iria acabar, declararam a “morte de Deus”. Mas o que vemos é um ”retorno ao sagrado”, mas a religiosidade tem sido muito “marcada por uma religiosidade individual, neo-agnóstica, holística”, um aspectos tradicionais triunfalistas e fora da realidade. Muitos jovens generosos investem o seu tempo nas atividades de seus grupos. É muito importante que eles tenham um “acompanhamento pedagógico e teológico adaptado á vivência grupal”.
Na dimensão da responsabilidade social: atualmente existe um “apelo constante para os direitos fundamentais dos cidadãos”, mas há também uma crise das autoridades “e das fontes de poder” que gera “desilusões, devido a corrupção das instâncias públicas”. Isso pode “afastar os jovens e torna-los apáticos aos problemas sociais”. O Documento Evangelização da Juventude diz que “não se pode pregar um amor abstrato que encobre os mecanismos econômicos, sociais e políticos geradores de marginalização de grandes setores de nossa população. Aqui há a necessidade de formar o jovem para o exercício da cidadania. Há necessidade de conectar a fé com a vida, a fé com a política”.  A fé do jovem católico deve ser uma fé que o anima a “abraçar a dimensão do serviço, no cuidado com os mais pobres, para atuarem em “movimentos e organizações sociais, visando à construção de uma sociedade justa e solidária”.
Continuaremos amanhã o nosso assunto. No dia de hoje, dia de São Jose, homem justo e reto, rezemos agradecendo a Deus por ter enviado para a sua Igreja o Papa Francisco, que tomou posse em Roma no dia de hoje. Deus abençoe você. Até amanhã!
Ir. José Torres, CSsR.

(CF 2013 - Fraternidade e Juventude: Terceira Parte, “Eis-me aqui, envia-me”, p. 97 - 102).

segunda-feira, 18 de março de 2013

Cf 2013: recriar as relações com a natureza e com a razão instrumental


O que podemos fazer para que o mundo seja melhor? Como contar com a forçada juventude na construção do Reino? Estamos conversando sobre isso, sobre as ações transformadoras. E o texto-base da CF faz indicações. Já conversamos sobre algumas delas. Vamos continuar falando sobre outras duas: as que tocam nos temas da natureza e sobre a razão instrumental.
Estamos vivendo uma situação muito grave que atinge o mundo inteiro: o planeta, que é a nossa “grande casa”, está correndo um grande perigo: as modificações “que podem comprometer as condições de sobrevivência da maioria das espécies vivas”, esse perigo atinge especialmente a cada ser humano. Os jovens também “se deparam com uma ameaça de grandes proporções à vida. Por isso, não podem deixar de contribuir para a construção de um mundo sustentável, a fim de evitar a destruição do planeta.” E é preciso agir rapidamente para que não se chegue ao ponto de ser tarde demais. Nós que vivemos no presente, somos responsáveis pelo modo como viverão as futuras gerações. Para defender a vida do planeta, é necessário:
1-      “desenvolver uma sadia relação com o planeta e com os demais seres”. As queimadas nas roças, o lixo jogado na rua e sem reciclagem, o uso de agrotóxicos, o desperdício de água, são pequenas contribuições que agridem a natureza e, aos poucos vão colaborando para que o mundo fique cada vez mais doente.
2-      “não sobrepor a natureza à pessoa humana, nem reduzi-la a simples conjunto de dados empíricos, como se fosse mera matéria sujeita ao nosso bel-prazer e desfrute”. Quer dizer, não precisamos chegar ao exagero de, ao defender a natureza, parar de comer carne porque os animais têm o direito a vida e não devem ser mortos. Mas ao mesmo tempo não podemos deixar que as centenas de espécies ameaçadas de extinção, desapareçam porque quereremos usar roupas de peles animais.
3-      “adotar novo estilo de vida, orientado para o desenvolvimento integral de todos; rever o atual padrão de consumo”. O estilo de vida simples, confortável mas sem ostentação. O luxo é supérfluo, é preciso criar uma mentalidade do essencial. Isso é ser amigo da natureza, amigo da vida.
Outra indicação importante para ajudar na transformação do mundo é “recriar a razão para além da razão instrumental”. Mas o que é a razão instrumental?  Com a ajuda da técnica, a razão tem a “incumbência de produzir” conhecimentos que aperfeiçoem a produção que “serve ao mercado”. O compromisso da razão
Instrumental é com a produção para o mercado, custe o que custar. Não existe a preocupação com os “dramas vivenciados pela humanidade”, com os sofrimentos de quem produz, com a situação e os sentimentos dos trabalhadores. Essa razão instrumental está a serviço da ciência, não se preocupa com a humanização. Mas, o diálogo entre a razão e a fé é necessário, pois é preciso “ultrapassar os limites instrumentais, recuperar a capacidade de abraçar” mais amplamente a realidade da vida e olhar o ser humano em todos os seus aspectos. Três indicações indispensáveis para ajudar nessa recriação:
1-      “formar educadores, catequistas e outras lideranças da juventude para o diálogo entre fé e ciência, especialmente nos ambientes de ensino superior”;
2-      “abrir o coração e a inteligência para a alteridade e para as interpelações advindas das necessidades reais das pessoas e da sociedade”; olhar a realidade e perceber que tem gente sendo explorada, derramando o seu sangue, dando a sua vida em todos os lugares da sociedade, pra que alguns poucos se beneficiem e vivam esbanjando riqueza e poder.
3-      “discernir ou julgar os âmbitos da realidade a partir da fraternidade e da justiça para se superar a indiferença e o conformismo com situações geradoras de sofrimento e morte”. Quer dizer, a justiça e a fraternidade têm de se tornar atitudes constantes, normais na vida da gente.
É isso. Amanhã, vamos começar a refletir sobre o lema da CF: “Eis-me aqui, envia-me”. Sinta hoje a ternura do coração de Deus! Até amanhã!
Ir. José Torres, CSsR.

(CF 2013 - Fraternidade e Juventude: Terceira Parte, “Abrir-se ao outro”, p. 95 - 97).

domingo, 17 de março de 2013

CF 2013: recriar relações de compromisso e transformação da sociedade


Estamos falando sobre a atitude de abertura diante das novidades para que possamos ajudar a juventude a “construir uma sociedade geradora de vida e abundância às pessoas”. Para isso, é preciso recriar as relações com Deus, com a própria afetividade numa atitude de gratuidade.
É preciso também “recriar as relações e o compromisso nesta mudança de época”. A Igreja sempre utilizou dos meios de comunicação para evangelizar. “Desde a colocação de sinos nas torres das igrejas, passando pela utilização da imprensa (...) até a entrada da tecnologia eletrônica, para facilitar a propagação das vozes nas celebrações, a Igreja acompanhou o progresso, tornando-se a principal responsável pela cultura ocidental”.
O texto-base apresenta três elementos importantes para que possamos “contribuir com a integração das pessoas no contexto da cultura midiática”:
1-      “reconhecer os benefícios dos meios de comunicação atuais e utilizá-los com discernimento”. A Igreja precisa continuar cada vez mais presente nos meios de comunicação e ajudar também a perceber os perigos que existem no uso das mídias, porque o conteúdo que se transmite através delas, pode contribuir com a construção de um mundo melhor ou pode confundir as pessoas quando acontece alguma distorção nas informações.
2-      “perceber os perigos que o uso descuidado das tecnologias digitais pode provocar”. Veja, quando alguém não consegue viver um dia sem usar a internet, sem ficar longe de um aparelho celular, é um sinal de que ela está começando a ficar viciada. É preciso ter cuidado para não prejudicar outras atividades importantes da vida por causa do excesso no uso das tecnologias.
3-      “cuidar para que os relacionamentos virtuais não prejudiquem os encontros pessoais, nem sirvam para alienar e para isolar as pessoas”. Aí está um dos pontos mais discutidos nos dias de hoje. A tecnologia deve servir para encurtar as distâncias, para comunicar mais, para resolver nossos problemas e trazer as informações mais rapidamente; o uso das tecnologias não devem substituir nossas relações fraternas presenciais. Isso pode fazer com que convivamos com nossos familiares e amigos de forma invisível: nossa atenção se dirige para as pessoas com quem conversamos ao computador ou no celular, enquanto as pessoas que estão ao nosso lado não são percebidas, como se fossem invisíveis.
Nesta mudança de época, a Igreja também precisa “recriar o dinamismo de transformação da sociedade”. Como sabemos, os tempos de hoje são marcados por “profundas mudanças, que afetam o modo de ver a si mesmo, o mundo e o outro”. E para passar e superar essa fase difícil, “o jovem é chamado a desenvolver uma consciência crítica e a construir espaços alternativos de vivência”. A juventude precisa de ajuda para desenvolver a sua capacidade crítica e não ficar à mercê das ideologias e instituições que não estão comprometidas com a vida. E para que a sociedade seja construída com mais justiça e respeite a dignidade das pessoas, o texto-base apresenta três condições:
1-      “protagonizar ações solidárias e perceber que abraçar causas, que requerem empenho, enobrece e alegra”. A gente encontra muita gente que está empenhada em ajudar pessoas que estão sofrendo. Na Igreja temos muitos grupos como os vicentinos, a pastoral carcerária, a Fazenda da Esperança, pastoral da mulher marginalizada... e tantas outras organizações nas paróquias e dioceses que assistem as pessoas em situação de extrema pobreza. Quem se torna voluntário nesses grupos, sente uma felicidade enorme em poder ajudar o outro a se reerguer na vida, a recuperar a sua dignidade.
2-      “perceber as interpelações dos jovens que clamam pela inclusão social e pelo combate aos processos de marginalização”. Onde há jovem marginalizado, há um grito de socorro que precisa ser ouvido e algo precisa ser feito.
3-      “promover ações contra o mundo das drogas, contra a violência crescente que vitimam inúmeros jovens, contra os sofrimentos dos jovens indígenas, quilombolas, dos campos e das periferias”.
Pois bem, amanhã vamos conversar sobre outras duas atitudes a serem recriadas: a relação com o meio ambiente e a razão instrumental. Que Deus abençoe os projetos do seu dia de hoje. Até amanhã!
Ir. José Torres, CSsR.

(CF 2013 - Fraternidade e Juventude: Terceira Parte, “Abrir-se ao outro”, p. 94 - 95).

CF 2013: Recriar as relações afetivas e de gratuidade


A CF indica como uma das ações transformadoras, a abertura para as novidades. Isso implica em recriar muitas realidades: no encontro anterior nós falamos de recriar o sentido da nossa existência e recriar nossa relação com Deus.
A abertura para as novidades também exige de nós “recriar as relações afetivas e a vida comunitária”. Veja, quando nós buscamos descobrir qual o sentido de nossa existência, descobrimos também a existência de Deus. Ao descobrirmos e experimentarmos a relação com Deus, “descobrimos a fonte do amor” e assim, somos imediatamente chamados a viver em comunidade. “Quem ama procura o ser amado e com ele quer permanecer. Se é verdade que amamos a Deus, nosso compromisso com Ele é amar os irmãos (cf. 1Jo 4,19) e conviver em harmonia com eles”. “Para que a evangelização aconteça, não basta suportar-nos uns aos outros”; é necessário “buscar a fonte da paz” e fazer com que os nossos gestos e palavras sejam digam que “existe uma causa, um dever de consciência, que nos leva a agir com amor e que esse jeito de agir provoca em nós alegria”.
Para que possamos recriar as relações afetivas e a vida comunitária, o texto-base indica três exigências:
1-      “reconhecer a Igreja como comunidade de amor, que atrai as pessoas para Cristo”, quer dizer, a Igreja é o lugar por excelência da experiência de amor verdadeiro, que acolhe, contagia e envolve a todos para conduzi-los a Cristo. Não é possível viver feliz sem o afeto e a dinâmica que existe na vida em comunidade.
2-      “superar as divergências e as diferenças na família, na comunidade e nos grupos, promovendo sempre a cultura de paz”. Embora sejam inevitáveis as divergências na vida comunitária, elas não podem ser maiores ou dificultar ou inibir as relações entre as pessoas. É preciso entender que as diferenças são elementos que enriquecem a vida de todos.
3-      “estender o serviço da caridade a todos os que se sentem marginalizados e isolados da vivência fraterna”, isto é, ampliar a nossa visão para mais longe, procurar os que ainda não estão conosco, priorizar nossa atenção aos que se sentem excluídos do convívio de nossa comunidade.
A abertura para o novo exige de nós “recriar relações de gratuidade para uma postura afetivo-construtiva”. No mundo de hoje, a mentalidade econômica impõe uma lógica de concorrência e competição. Essa lógica é aprendida e reproduzida em nossos comportamentos. Podemos perceber que, “especialmente entre os jovens”, há uma “afetividade autônoma e narcisista”, quer dizer, há muitas relações individualistas, interesseiras, egoístas; atitude de supervalorização da beleza do próprio corpo, cultivo exagerado de si mesmo esquecendo-se das relações com os outros. Isso, “dificulta o estabelecimento de relações estáveis e compromissadas”. Por outro lado, a “lógica da graça” é contrária à essa lógica perversa. A lógica da graça é uma atitude de amor-comunhão que deve orientar as relações humanas para viverem na gratuidade.
Para recuperar essas relações de gratuidade, o texto-base assinala três pontos importantes a serem observados:
1-      “superar o individualismo e a competição” que atrapalha as relações de gratuidade na sociedade; acabar com esse tipo de relação de interesse em que a amizade só existe em quanto a pessoa tem o que oferecer. Tem um provérbio popular que diz que se você quiser conhecer o caráter de uma pessoa, olhe como ela trata as pessoas “que não podem trazer-lhes benefício algum”. Conviver com o outro deve ser algo gratuito, do jeito que Deus convive com a gente, apesar dos nossos pecados.
2-      “construir uma afetividade” em que a pessoa valorize e se abra ao outro, e entenda que ela é chamada a agir e transformar o lugar onde ela está.
3-       “acolher os valores éticos” que constroem a pessoa e a humanizam em “todos os âmbitos das relações pessoais e sociais”. Isto é, da mesma forma que a casa deve ser construída com um bom material, a pessoa humana também deve ser formada para ser uma pessoa equilibrada, coerente, autêntica.
No desafio de abrir-se ao novo, é preciso recriar muitas atitudes nossas. Amanhã, vamos continuar nossa conversar. Que hoje você experimente a gratuidade do coração de Deus! Até amanhã!
Ir. José Torres, CSsR.

(CF 2013 - Fraternidade e Juventude: Terceira Parte, “Abrir-se ao outro”, p. 93 - 94).