segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ESPIRITUALIDADE REDENTORISTA

Nunca se falou tanto em espiritualidade como hoje. Virou moda. O problema é que moda é coisa que passa. Espiritualidade verdadeira, fica! E nesse sentido da perenidade da espiritualidade, nós religiosos precisamos tê-la como a “chave” mais importante que abre os caminhos da vida. Não que a espiritualidade vá resolver todos os problemas do ser humano. Aliás, “ a espiritualidade é tão humilde que não pretende resolver os problemas sozinha” (Pe. Piotr, CSsR.).
Para os que vivem a Vida Consagrada, a espiritualidade se expressa “na contemplação, na oração, na escuta da Palavra de Deus, na união com Deus, na integração das diversas dimensões da vida pessoal e comunitária, na observância fiel e alegre dos Votos”, disse o Cardeal Hume em 1984 no Sínodo sobre a Vida Consagrada.




Mas o que é espiritualidade? Embora seja uma realidade muito abstrata e tenha várias interpretações, é preciso saber que ela é VIDA que vem do Espírito, vida que está dentro de nós e não fora. Se é vida, é também MOVIMENTO, mudanças, itinerário que caminha para a perfeição. Assim, encontramos o conceito de Espiritualidade Cristã. Para nós cristãos, espiritualidade é VIDA EM JESUS CRISTO. Como disse São Paulo estamos com que “enxertados na vida de Cristo” (Rm 11, 17-24). A Espiritualidade Cristã é viver “bebendo da fonte do Espírito Santo” com um itinerário (um caminho progressivo) que nos faz crescer e amadurecer nessa experiência com Cristo. E isso só acontecerá com cada um de nós através da “meditação, oração, silêncio, liturgia, Palavra de Deus”.
Mas viver essa espiritualidade cristã não é fácil nos dias de hoje. A cultura prioriza a razão e nos ensinou que o conhecimento espiritual não serve para a vida, basta optar por aquilo que é palpável, sensível, concreto. Além disso, o ser humano é um mistério que ninguém é capaz de entender completamente. E também o individualismo ou a incapacidade de sair de si mesmo e relacionar-se com os demais enriquecendo e partilhando a vida.
Nossa espiritualidade redentorista carrega uma palavra que a caracteriza bem: chama-se ENCARNAÇÃO. O divino e o humano se encontram e tudo se recompõe de acordo com a Graça de Deus. Na oração do Rosário rezamos: “E o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós”.
Espiritualidade é transformação. Como Redentoristas não podemos esquecer que devemos ser pessoas encarnadas (porque repetimos a ação de Jesus como encarnado no mundo). E para isso, não podemos ficar alienados da história do presente, precisamos entender o que acontece no mundo para podermos interferir como “redentores”. Daí, é necessário adquirir e aperfeiçoar um certo “sexto sentido”. “Ler jornais e romances, ver filmes, seguir a política e a economia mundial são maneiras de exercer este sexto sentido”, diz o Pe. Piotr neste curso. (Abro um parêntese aqui para lembrar o quão aguçado é o “sexto sentido” do Papa Francisco. O profeta verdadeiro conhece a sociedade em que vive e sabe ler os fatos à luz do Espírito). Daí, espiritualidade é transformação.

Concluindo, digo que viver a espiritualidade nos tempos de hoje não é fácil. Mas a espiritualidade cristã não é para gente de vida fácil, afinal, a cruz é a aquisição essencialíssima sem a qual não estaríamos seguindo os passos de Jesus. Viver a vida do Espírito, deixando-se conduzir pelos movimentos do Espírito que nos faz embebedar de Deus. Embriagados de Deus, seremos pessoas encarnadas na realidade do povo, vivendo de portas abertas para acolher e ser acolhido. Portanto, em nossa Província somos convidados a mudar radicalmente nossa forma de ser e agir. Ou continuaremos vivendo na mediocridade do espírito mundano que invadiu um grandioso espaço de nossas vidas.
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