Flávia Barros Nogueira *
"A musicoterapia é um
processo sistemático de intervenção em que o terapeuta ajuda o cliente a
promover a saúde utilizando experiências musicais e as relações que se
desenvolvem através delas como forças dinâmicas de mudança" (BRUSCIA, 2000
p.22)
Assim, a musicoterapia consiste
em um processo sistemático com objetivos e propósito, fundamentada em
conhecimentos, organizada e regulada. Portanto, a utilização da música de forma
aleatória e não estruturada, ainda que traga benefícios a uma pessoa, não pode
ser considerada musicoterapia.
A música não é propriedade do
musicoterapeuta (ou do músico), longe disso. A utilização da música é, e deve
ser, propriedade da humanidade. Porém, a utilização indiscriminada do termo
musicoterapia vai na contramão da consolidação da profissão.
Muitos tem utilizado
inadequadamente a palavra musicoterapia para definir qualquer utilização
benéfica da música sobre o ser humano. Porém, ainda que o efeito de atividades musicais tragam benefícios para
uma pessoa, chamar tal uso de musicoterapia requer alguns critérios.
O que NÃO é musicoterapia
Como vimos acima, o uso da música
pode ser feito por todas as pessoas, assim como usufruir dos seus benefícios
(que são muitos). Porém, apesar de benefícios, muitos até recomendáveis, não é
musicoterapia:
• o
uso da música para relaxar;
• fazer
aula de música;
• cantar uma música ao som de um instrumento;
• aula
de música para pessoas especiais;
• a
audição de uma música no rádio do carro ou em casa;
• a
execução de uma peça instrumental;
• uso
de som ambiente (como em consultórios, elevadores, etc);
• canto
e música em Hospitais;
Assim, apesar dos efeitos
positivos que as atividades acima possam proporcionar, não as consideraremos
musicoterapia (embora possam fazer parte da musicoterapia).
Quando É musicoterapia
Para ser considerado musicoterapia, este processo
requer a intervenção de um
musicoterapeuta. Segundo Bruscia, quando a música é utilizada sem um
musicoterapeuta, o processo não é qualificado como musicoterapia, então, sem um
musicoterapeuta, não há musicoterapia.
Porque?
Em um processo musicoterapêutico,
do ponto de vista dos procedimentos, a musicoterapia constitui-se de três
fases: avaliação diagnóstica, tratamento e avaliação. (BRUSCIA 2000, p. 22)
Ainda que outros profissionais possam se identificar com as fases citadas por
Bruscia, estas tratam de abordagens específicas, nas quais se utilizam de
métodos e técnicas próprias da musicoterapia.O ponto chave observado pelo musicoterapeuta
é a relação do indivíduo atendido (paciente,/cliente) com a música. Assim,
desde a entrevista inicial até a avaliação final, são especialmente as
respostas musicais do indivíduo durante as sessões que fornecem os elementos
necessários para o musicoterapeuta traçar objetivos, intervenções, abordagens e
alta. Segundo o painel de descrição que estabelece as qualificações do
musicoterapeuta (DACUM 2010), entre outras capacitações, o musicoterapeuta deve
ser capaz de estabelecer diagnóstico musicoterapêutico e efetuar leitura
musicoterapêutica. Assim, o único profissional preparado para compreender todas
as fases de um processo musicoterapêutico é o musicoterapeuta.
Quem é o musicoterapeuta
É um profissional de nível
superior que passa, na graduação, por quatro anos de faculdade e centenas de
horas de estágio. Além da graduação em musicoterapia, há também os cursos de
pós graduação que formam especialistas em musicoterapia.
Cursos rápidos (de 80, 40 horas,
ou até menos!) e Workshops não formam e muito menos qualificam
musicoterapeutas!
Nossa profissão é séria e com
sólida fundamentação científica. Precisamos batalhar para que o nome
Musicoterapia se estabeleça e seja visto com respeito pela sociedade e outros
profissionais da saúde.
Então, se você não é um
musicoterapeuta e utiliza a música em seu trabalho, tudo bem, continue
usando! Só pedimos, para o bem da
profissão musicoterapia, não utilize esse termo, ok?
Referências
BRUSCIA, Kenneth E. Definindo Musicoterapia.Rio de Janeiro:
Enelivros, 2000.
DACUM. Painéis de Descrição e
Validação. São Paulo: UBAM, 2010.
* Flávia Nogueira é musicoterapeuta e professora de Música.



